Bombeiros e agricultores, apoiados por aeronaves que lançam água, enfrentaram nesta segunda-feira o quarto dia de combate ao pior incêndio florestal da Bélgica em um século. O fogo ainda consumia áreas preservadas do parque, embora tenha parado antes de alcançar a fronteira com a Alemanha.

Bombeiros atuam no combate a incêndio que atinge a reserva natural de Hautes Fagnes, na Bélgica| IMAGES VHP/BELGA/AFP/METSUL
O incêndio que atinge a reserva natural de Hautes Fagnes, uma vasta região de turfeiras, florestas de pinheiros e trilhas para caminhadas, cresceu desde sexta-feira para 3.000 hectares — uma área equivalente à metade de Manhattan.
O porta-voz da célula de crise, Tony Hosmans, disse à AFP nesta segunda-feira que o fogo “não avançou mais”, mas que ainda não era possível afirmar que estava controlado. “Isso pode mudar de acordo com o tempo”, alertou.
A Europa vem sendo atingida há semanas por incêndios florestais devastadores, alimentados pelas condições secas e por um verão historicamente quente. França, Grécia, Portugal e Espanha também enfrentam grandes incêndios.
Hosmans confirmou que o incêndio em Hautes Fagnes não avançava mais em direção à fronteira alemã, depois de ter se aproximado durante o fim de semana e levado à ordem de evacuação da cidade de Monschau.
A chuva tão necessária trouxe algum alívio na segunda-feira aos cerca de 500 bombeiros e integrantes das equipes de emergência mobilizados no local, mas as autoridades alertaram que as condições podem mudar rapidamente.
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Philipp Krueger, chefe do combate a incêndios em Monschau, disse a jornalistas que as equipes se preparavam para enfrentar “ventos fortes” na terça-feira, advertindo que seria uma “nova situação” desafiadora.
“Não vou esquecer isso”
“Continuamos fazendo tudo o que é possível para garantir que ninguém se encontre em perigo imediato”, afirmou a prefeita de Monschau, Carmen Kramer, durante uma coletiva de imprensa.
Em um centro comunitário de Monschau, Ulrich e Petra Mertens estavam entre os poucos moradores evacuados que passaram a noite em macas, acompanhados dos cães Cleo e Kruemel.
O casal decidiu deixar a casa depois de observar as chamas no horizonte e perceber que o ar estava tomado por uma fumaça de odor desagradável. “Pensamos: vamos embora”, contou Petra Mertens, de 63 anos, cuidadora aposentada. “O ar estava terrível. Com a fumaça, pensamos: ‘Não podemos fazer isso com os cães. Não vou esquecer isso tão cedo”, disse ela à AFP. “É preciso tempo para assimilar tudo. Você percebe como poderia perder uma casa tão rapidamente.”
Maior incêndio desde 1911
O incêndio em Hautes Fagnes começou em uma área que foi devastada por grandes incêndios em 1911, durante um período semelhante de ondas de calor e seca.
É o maior incêndio florestal registrado no país desde então. O rei Philippe, da Bélgica, visitou a região atingida nesta segunda-feira em uma demonstração de apoio ao enorme esforço para conter as chamas.
Uma extensa área próxima à fronteira foi coberta por uma espessa coluna de fumaça amarelada. A fumaça chegou a ser detectada até no leste da França, onde as autoridades emitiram um alerta de poluição do ar.
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O risco provocado pela fumaça também levou à evacuação de duas localidades belgas, cujos moradores continuavam orientados a permanecer afastados.
“Enquanto for necessário”
As operações no local são dificultadas pelo terreno das Hautes Fagnes, formado por uma combinação de áreas de vegetação rasteira, turfeiras e passarelas elevadas de madeira. Veículos pesados correm o risco de afundar no solo, dificultando a aproximação dos bombeiros às áreas em chamas.
Por isso, as equipes vêm dependendo fortemente do apoio aéreo para tentar controlar a situação. Reforços aéreos estavam a caminho: dois helicópteros da Alemanha e dois da Noruega deveriam se juntar às aeronaves e helicópteros de combate a incêndios da Suécia, Holanda e Bélgica que já atuavam no local.
Agricultores da região também se mobilizaram para ajudar. Um verdadeiro balé de tratores passou a transportar tanques de água abastecidos em um lago próximo. Romain Monet, agricultor de Waremme, nas proximidades, trabalhou durante toda a noite, enquanto um colega assumiu o turno durante o dia.
“Vamos nos revezar enquanto for necessário — a equipe está preparada”, afirmou à AFP. “Vamos continuar até a linha de chegada.”
Assim como grande parte da Europa, a Bélgica enfrentou nos últimos dias um novo período de calor intenso e seca. As temperaturas chegaram a 37°C em algumas regiões do país na sexta-feira, criando condições favoráveis à ocorrência e à rápida propagação de incêndios florestais.