Como o El Niño de 2026 se compara no fim de agosto aos mais intensos da história? Levantamento da MetSul Meteorologia mostra que o atual evento se encaminha para se transformar em um dos ou o mais intenso dos tempos modernos.

Mapa mostra condições atuais do El Niño | NOAA
De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar pelo tradicional índice ONI (Índice Oceânico Niño) era de +2,6ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito forte. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño.
Em comparação histórica, fazendo uso de dados pelo índice ONI dos principais eventos de El Niño dos últimos 50 anos, na penúltima semana de agosto a anomalia era de 1,5ºC em 2023; 1,8ºC em 2015; 1,8ºC em 1997; e 1,2ºC em 1982.
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Já pelo novo critério de monitoramento da NOAA, chamado de RONI (Índice Oceânico Niño Relativo), a anomalia de temperatura da superfície do mar atual está em +1,8ºC, ou seja, na categoria de um El Niño forte.
Em comparação histórica, fazendo uso de dados pelo índice RONI dos principais eventos de El Niño dos últimos 50 anos, na penúltima semana de agosto a anomalia era de 0,7ºC em 2023; 1,4ºC em 2015; 1,8ºC em 1997; e 1,4ºC em 1982.
Por que a diferença entre os dois índices?
Durante muitos anos, a NOAA usou como critério de monitoramento o chamado ONI (Oceanic Niño Index), que mede a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 em relação à média climatológica, mas neste ano passou a usar o RONI (Relative Oceanic Niño Index), que faz um ajuste para descontar o aquecimento global nos oceanos. Isso determina que o RONI tenha anomalias menores que as ONI, índice usado por décadas e que é utilizado ainda maciçamente por meteorologistas no mundo todo.
O que é El Niño
Um evento de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

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El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.
Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.
A origem do nome data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.
Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.