Uma frente semi estacionária irá impactar o estado na segunda metade desta semana e promete elevar os totais de chuva do mês e provocar fortes tempestades. Os modelos indicam grandes volumes de precipitação que encerrão o mês com chuva muito acima da média média histórica.  O super El Niño ativo e ganhando força desde junho está por trás desses sucessivos eventos de chuva que tem atgingido o Sul do país com cheia em diferentes rios e alta frequência de temporais.

A boa notícia, se é que podemos dizer isso, é que este evento tende a ser mais volumoso na Metade Norte do estado que está em relativa de normalidade quanto a solo saturado e nível dos rios. Por essa razão tem certa capacidade de acomodar esses volumes altos, embora o risco de transtornos seja alto de qualquer forma.

Uma frente fria irá se formar a partir da corrente de jato elevando o contraste térmico entre a quinta e sexta entre o Rio Grande do Sul e Uruguai. Essa frente começará com comportamento de frente fria, mas passará por uma fase semi estacionária com posterior rota de frente quente e fria novamente. Essa queda de braço entre o ar quente e frio terminará com a influência de um ciclone no mar acelerando a saída da instabilidade do sul no começo de setembro. Neste caso, como frente fria.

Portanto, cenário atmosférico complexo e que em alguns momentos poderá gerar tempo severo e chuva excessiva em poucas horas.

Passo a passo do que virá

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Inicialmente uma corrente de jato de baixos níveis com vento Noroeste irá transportar ar muito quente para o Estado em contraste com o ar frio que avança para o mar. Uma frente fria chega na sexta, mas o bloqueio no centro do país impede que o fenômeno avance muito além de Santa Catarina.

Na sequência um sistema de baixa pressão avança do Paraguai favorece que a chuva ganhe força. O centro de baixa faz com que a instabilidade retroceda com comportamento de frente quente na direção do centro do território gaúcho.

Já no último dia do mês a baixa pressão no mar irá acelerar o deslocamento da então frente fria na direção de Santa Catarina e Paraná.

Portanto, a chuva passará por vários estágios e terá como causa múltiplos fenômenos que dentro desse cenário atmosférico complexo elevam risco de volumes altos que podem elevar o risco de alagamentos e inundações. O período chuvoso sobre as bacias hidrográficas da parte Norte e Leste do estado deverá ser monitorado nesses dias.

Volumes de chuva previsto impactará o nível dos rios da Metade Norte

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O mapa acima do modelo europeu ECMWF projeta volumes altos de chuva, sobretudo, na Metade Norte do Rio Grande do Sul. Ressaltamos que apesar do mapa mostrar o acumulado de dez dias, grande parte desse volume projetado ocorrerá entre os dias 27 e 31 de agosto, portanto, ao redor de apenas cinco dias.

A região mais crítica projetada hoje pelo modelo é a área que compreende o Planalto, alto da serra do Botucaraí e serra, portanto, nos afluentes das bacias do Jacuí, Taquari-Antas, Caí e Sinos. Os volumes projetados oscilam na faixa de 200 a 250 mm, com pontos isolados de até 300 mm. Na Metade Sul e  Oeste os volumes são expressivos e com uma área de 50/100 mm nos arredores de São Sepé, contudo na grande maioria das cidades os acumulados terão grande variabilidade de volumes. Neste caso preocupa não só a quantidade de chuva que em algumas cidades poderá representar o dobro do esperado para o mês, mas e principalmente o curto período, na escala de dias, em que essa volume irá acumular na região. Por isso, é preciso monitorar o nível dos rios, sobretudo, aqueles com resposta rápida como o  Taquari e o Caí a partir de sexta-feira.

A MetSul Meteorologia adverte ainda para o elevado risco de tempestades, especialmente entre a quinta e o sábado com risco de vendavais, muitos raios e ocorrências isoladas de granizo.