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O noticiário deste começo de ano sintetizado em apenas um mapa. Os três estados do Sul e área do Mato Grosso do Sul enfrentam uma grave estiagem enquanto do Centro para o Norte e o Nordeste do Brasil o sinal de precipitação é exatamente o oposto com excesso de chuva com enchentes e prejuízos em vários estados.


O mapa produzido pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mostra um país dividido pela chuva. As precipitações tão escassas na parte meridional do Brasil caem em abundância e de forma excessiva na Metade Norte do território brasileiro.

A visualização com as anomalias de chuva nos últimos dez dias de 2021 foi processado a partir do cálculo do Índice de Precipitação Padronizado (SPI), com uso de dados do produto CHIRPS de precipitação e revela o quanto foi extremada a diferença de chuva entre o Sul e o Centro e Nordeste do Brasil com enorme déficit em algumas áreas e índices muito acima da média em outras.


No mapa, áreas do Centro do Brasil até o extremo Norte tiveram predomínio de chuva acima da média histórica, conforme demonstrado pelas cores azul e roxa. Cenário verificado em grande parte do Mato Grosso, Rondônia, extremo Norte de Goiás e de Minas Gerais, além de todo o Nordeste e grande parte da região Norte.

Em realidade distinta, do Centro para o Sul do Brasil houve predomínio de estiagem durante o período. Isso incluiu o Sul do Mato Grosso do Sul e grande parte da região Sul. Conforme dados do Lapis, houve registro de seca extrema (áreas em vermelho, no mapa). Já na área central do país, que abrange parte do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, as chuvas ficaram em torno da média (áreas destacadas em branco, na imagem).

A chuva faz estragos em pontos do Sudeste, do Centro-Oeste e do Nordeste do Brasil. Além de danos e 600 mil afetados em centenas de municípios da Bahia, os estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Tocantins, Goiás e Maranhão sofrem as consequências do excesso de chuva neste começo de ano com rios transbordados, cidades inundadas e decretos de situação de emergência.

Mais ao Sul, o governo do Paraná decretou emergência pela seca. “As perdas são irreversíveis para maior parte. De 50 a 70% da soja do Oeste não vai existir”, disse o secretário Agricultura do estado, Norberto Ortigara. Os prejuízos na soja do Paraná com a estiagem são estimados até o momento em quase 20 bilhões de reais. No Mato Grosso do Sul, o governador Reinaldo Azambuja anunciou a decretação de situação de emergência nas 79 cidades do Estado, em função da seca e da estiagem.

No Rio Grande do Sul, mais de 100 municípios já decretaram emergência, o número aumenta a cada dia e rapidamente com a piora do cenário. Das cerca de 400 mil propriedades rurais existentes no estado gaúcho, cerca de 140 mil estão com algum problema relacionado à estiagem, sendo que em 6 mil delas já há insuficiência de água para consumo humano e dos animais.

Os números foram apresentados pela Emater/RS-Ascar em reunião com as secretarias de Agricultura, Meio Ambiente e Obras. As comentar os efeitos da estiagem para as culturas de grãos, o diretor técnico da Emater/RS Alencar Rugeri afirma que são devastadores no milho e que avançam na soja à proporção de 1% a 2% por dia.

Rugeri reconhece que na Metade Norte do Estado não haverá o que colher em muitas lavouras de milho. Na soja, o diretor técnico esclarece que ainda é difícil mensurar perdas, mas já observa alguma consolidação, uma vez que pelo menos 7% da área prevista para a oleaginosa no Rio Grande do Sul, de 6,1 milhões de hectares, deixou de ser plantada em função da ausência de umidade no solo.

Este padrão de chuva escassa no Sul e excessiva do Centro para o Norte e o Nordeste do Brasil era antecipado por meses por modelos de clima e alertados pela MetSul em consequência da atuação do fenômeno La Niña. O fenômeno se apresenta no Oceano Pacífico Equatorial em sua forma clássica (canônica) que tem como efeito reduzir a chuva no verão no Sul e aumentar muito no Nordeste.

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