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A segunda metade de junho promete mais chuva em vários estados e muitos dias de frio intenso e com formação de geada mais ao Sul do Brasil, de acordo com a análise da nossa equipe na MetSul Meteorologia.

O mês até agora tem sido pouco convencional em relação à climatologia histórica no Centro-Sul do Brasil com precipitação acima a muitíssimo acima das médias em diversos estados, notadamente no Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal, o que em nossa avaliação já reflete a atuação do fenômeno El Niño.

Historicamente, junho marca o começo do inverno climático no Brasil e traz mudanças importantes no comportamento do tempo em diversas regiões do país. Embora o inverno astronômico tenha início apenas em 21 de junho, o mês já apresenta características típicas da estação mais fria do ano, com avanço mais frequente de massas de ar frio, ocorrência de geadas e aumento da chuva em parte da Região Sul.

Junho está entre os meses mais frios do ano no Sul do Brasil. Ao lado de julho, registra algumas das menores temperaturas da climatologia anual e costuma ser o período em que começam os episódios mais intensos de frio. Em anos favoráveis, há registro de geada ampla e até ocorrência de neve nas áreas mais elevadas da Serra Gaúcha e Catarinense.

No Rio Grande do Sul, o mês também costuma marcar uma mudança no padrão de precipitação. Enquanto, em regra, o Centro do Brasil entra na estação seca, o estado gaúcho passa a receber com maior frequência sistemas meteorológicos como frentes frias, frentes quentes e centros de baixa pressão, favorecendo a ocorrência de chuva.

Na capital gaúcha, Porto Alegre, junho é o segundo mês mais frio do ano. A temperatura mínima média histórica é de 11,3°C e a máxima média de 20,3°C. A temperatura média mensal é de 14,8°C, segundo as normais climatológicas do período de 1991 a 2020.

Em relação à chuva, Porto Alegre registra precipitação média de 130,4 milímetros em junho. O volume coloca o mês entre os mais chuvosos do ano na capital gaúcha, atrás apenas de julho, setembro e outubro.

Chuva na segunda quinzena de junho

A previsão da MetSul Meteorologia indica que a segunda metade de junho deve ter chuva acima a muito acima da média em grande parte do Centro-Sul do Brasil e mesmo com risco de precipitação excessiva em algumas áreas.

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva acumulada em 15 dias, até o fim deste mês, com dados atualizados hoje do modelo determinístico do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

Mapa de chuva na segunda quinzena de junho

METSUL

A chuva deve ser mais volumosa principalmente na Metade Norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, parte do Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, onde em diferentes pontos os acumulados devem passar de 100 mm nesta segunda metade do mês com volumes isoladamente mesmo superiores ao indicado pela projeção do modelo.

O que chama a atenção é a continuidade do padrão de instabilidade com chuva fora de época mais ao Centro do Brasil, como em Goiás e no Distrito Federal, mas a tendência é que as precipitações se concentrem mais nesta semana antes do ingresso de ar mais seco e quente comum nesta fase do ano.

Muito frio vindo para o Sul

Haverá um marcado contraste entre áreas do Centro e do Sul do Brasil na temperatura nesta segunda quinzena de junho. A tendência é de um aumento de dias com maior temperatura com a gradual redução da instabilidade no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais ao mesmo tempo que o frio deve se intensificar mais ao Sul do país.

Os mapas abaixo mostram as anomalias de temperatura (desvio da média) para esta segunda quinzena de junho do modelo climático norte-americano CFS (NOAA) e do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

Mapa de anomalia na segunda quinzena de junho

METSUL

Mapa de anomalia na segunda quinzena de junho

METSUL

Duas importantes massas de ar frio devem contribuir para o padrão mais frio no Sul do Brasil. A primeira atua nesta semana e traz uma sequência de dias com mínimas abaixo a muito abaixo da média.

No entanto, os dados indicam que na semana que vem chega uma segunda incursão de ar polar, que poderia ser mais forte que a de agora e teria o seu pico em tornos dos dias 23 e 25, garantindo mais uma sequência de dias de baixa temperatura e as menores temperaturas do ano até o momento no Sul do Brasil.

Esta segunda massa de ar frio deve induzir chuva mais uma vez em parte do Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso do Sul, e ainda trará queda de temperatura em áreas mais ao Sul da região. Deve influenciar ainda o tempo no Sudeste com maior resfriamento em São Paulo.