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Quando meteorologistas falam em “Furacões de Cabo Verde” não estão se referindo apenas a tempestades que afetam o arquipélago africano. O termo é usado para designar ciclones tropicais que se formam perto da costa da África Ocidental, geralmente a partir de ondas atmosféricas que deixam o continente e avançam pelo Atlântico tropical. Estes sistemas são considerados alguns dos mais perigosos e destrutivos do planeta.

Foto mostra furacão Dorian que surgiu perto de Cabo Verde

Olho do furacão Dorian que se formou perto de Cabo Verde em 2019 | NASA

A principal razão para o temor é a enorme distância que percorrem sobre águas quentes do oceano. Enquanto alguns furacões surgem próximos ao Caribe ou ao Golfo do México, os de Cabo Verde nascem muito mais a Leste e dispõem de milhares de quilômetros sobre águas quentes para ganhar organização e intensidade. Durante esta longa jornada, podem evoluir de simples áreas de instabilidade para furacões extremamente poderosos.

A história mostra que muitos dos ciclones mais devastadores do Atlântico tiveram origem na região de Cabo Verde. Um dos exemplos mais conhecidos é o furacão Andrew, em 1992. Embora tenha sido relativamente compacto, atingiu as Bahamas e o Sul da Flórida com força devastadora, destruindo dezenas de milhares de residências e tornando-se um dos maiores desastres naturais da história dos Estados Unidos até então.

Outro caso marcante foi o furacão Hugo, em 1989. Formado próximo à África, atravessou o Atlântico e atingiu o Caribe e a costa leste dos Estados Unidos. Os prejuízos foram enormes e milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica após a passagem da tempestade.

Em 2004, o furacão Ivan tornou-se um dos mais intensos já observados no Atlântico. O ciclone atravessou o Caribe causando destruição em diversas ilhas antes de atingir os Estados Unidos. Em alguns momentos, seus ventos superaram os 250 km/h, caracterizando um furacão de categoria 5.

A temporada de 2017 trouxe dois dos exemplos mais impressionantes da era moderna. O furacão Irma nasceu próximo a Cabo Verde e manteve intensidade extrema por vários dias consecutivos. Com ventos de até 295 km/h, devastou ilhas do Caribe e causou prejuízos bilionários nos Estados Unidos. Na mesma temporada, o furacão Maria provocou uma catástrofe humanitária em Porto Rico, deixando grande parte da população sem eletricidade por meses.

Mais recentemente, o furacão Dorian, em 2019, mostrou novamente o potencial destrutivo dos sistemas originados perto de Cabo Verde. Após se formar no Atlântico tropical, atingiu as Bahamas como um dos ciclones mais fortes já registrados no arquipélago. Em algumas áreas, permaneceu praticamente estacionário por muitas horas, provocando destruição sem precedentes.

Outro aspecto que preocupa os meteorologistas é que os furacões de Cabo Verde frequentemente atingem as categorias mais altas da escala Saffir-Simpson. Como permanecem muito tempo sobre águas quentes, têm mais oportunidades de passar por processos de rápida intensificação, quando os ventos aumentam drasticamente em poucas horas.

Esses ciclones costumam ser mais frequentes entre agosto e setembro, período de pico da temporada de furacões do Atlântico. Nesta época, a temperatura do oceano está elevada e a atmosfera reúne as condições ideais para o desenvolvimento de tempestades intensas.

Além dos ventos destrutivos, os furacões de Cabo Verde podem provocar chuvas torrenciais, enchentes, deslizamentos de terra e marés de tempestade capazes de inundar extensas áreas costeiras. Em muitos casos, a elevação do nível do mar causada pelo ciclone é responsável pela maior parte das mortes e dos danos.

No entanto, nem todos os sistemas que surgem perto da África se transformam em grandes furacões. Muitos enfraquecem devido ao ar seco do deserto do Saara ou a condições atmosféricas desfavoráveis. Entretanto, quando conseguem sobreviver aos primeiros dias de desenvolvimento, passam a ser acompanhados com enorme atenção pelos centros meteorológicos.