Uma nuvem rolou impressionou os moradores do litoral do estado de São Paulo no final da manhã deste domingo. A formação foi observada em Santos e outros balneários por volta das 11h da manhã de hoje. Seguidores da MetSul Meteorologia nas redes sociais residentes na Baixada Santista registraram o avanço da nuvem rolo pela costa. As formações alcançaram ainda o litoral do Rio de Janeiro.


As imagens de satélite entre 10h e 11h deste domingo mostravam uma sequência de nuvens rolo no Oceano Atlântico com extensão de várias centenas de quilômetros, ou seja, “ruas de nuvens”. Uma destas nuvens rolo alcançou a costa na altura da Baixada Santistas, gerando as imagens que impressionaram.

ZOOM EARTH

As “ruas de nuvens” são conhecidas como “cloud streets” no jargão da Meteorologia em Inglês. As ruas de nebulosidade são longas fileiras de nuvens Cumulus orientadas paralelamente à direção do vento. O nome técnico, mais especificamente, é rolos convectivos horizontais. Não é um fenômeno perigoso e tampouco raro. Semanas atrás, ruas de nuvens foram fotogradas de um avião na costa Sul do Brasil.

Rolos de convecção de ar quente ascendente e ar frio descendente formam ruas de nuvens. Primeiro, o ar quente ascendente esfria gradualmente à medida que sobe para a atmosfera. Então, quando a umidade na massa de ar quente esfria e condensa, ela forma nuvens. Enquanto isso, o ar frio afundando em ambos os lados da zona de formação de nuvens cria uma área livre de nuvens.

Mais tarde, quando várias dessas massas de ar alternadas subindo e descendo se alinham com o vento, as ruas de nuvens se desenvolvem. No caso de hoje, conforme as imagens de satélite, as ruas de nuvens estavam sobre o Oceano Atlântico e se prolongavam até o litoral do estado de São Paulo. O trem de nuvem alinhadas no oceano se deu pelo avanço de ar mais frio a partir de uma massa de ar polar que se desloca pelo Sul do Brasil rumo ao Sudeste.

Geralmente, as ruas de nuvens normalmente formam linhas bastante retas em áreas grandes e planas, como o oceano. No entanto, quando características geológicas como ilhas interrompem o fluxo do vento, essa interrupção pode criar padrões em espiral nas ruas de nuvens. Isso é semelhante à maneira pela qual grandes pedras criam redemoinhos nos rios. Notavelmente, os padrões espirais nas nuvens, chamados de ruas de vórtice de von Kármán, receberam o nome de Theodore von Kármán, cofundador do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Ele foi um dos primeiros cientistas a descrever esse tipo de fenômeno atmosférico.

As condições mais favoráveis para a formação dos rolos ocorrem quando a camada de ar mais baixa é instável, mas é coberta por uma inversão, logo por camada de ar estável. Deve haver um vento moderado. Isso geralmente ocorre quando o ar superior está diminuindo, como em condições anticiclônicas. Oocorre ainda quando nevoeiro de radiação se forma durante a noite. A convecção ocorre abaixo da inversão, com o ar subindo em térmicas abaixo das nuvens e afundando no ar entre as ruas.

Para que se formem estas fileiras de nuvens, conforme estudos, os ventos de superfície devem estar entre 20 km/h e 30 km/h e a direção quase constante com altura na camada convectiva. Há necessidade ainda de inversão ou camada estável para limitar o desenvolvimento vertical de correntes convectivas, geralmente a uma altura de 1,5 a 2 quilômetros. A velocidade do vento deve aumentar ainda com a altura até um máximo de pelo menos 40 km/h na parte média ou superior da camada de convecção. Acima destes níveis, o vento pode diminuir ou aumentar novamente.