Um vídeo publicado pelo Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido, chamou muita atenção dos aficionados e profissionais da Meteorologia. Uma rara “nuvem do Levante” sobre o rochedo de Gibraltar, na península ibérica. A formação rochosa é o local em que se forma a chamada nuvem Levanter a partir do vento interagindo com a elevação.

O vídeo do Met Office Gibraltar mostra uma impressionante nuvem de levante – em homenagem ao vento do Levante que sopra para Oeste pelo terreno local – aparentemente se formando do nada. Na realidade, a formação da nuvem não tem nada de excepcional e decorre do vento e do relevo local.

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O ar úmido da superfície é forçado para cima pelo pico e sobe a uma altura onde a temperatura é mais baixa do que o ponto de orvalho do ar da superfície. Isso significa que o ar atinge a saturação e a umidade dentro dele se condensa, formando uma nuvem.

No vídeo, à frente de onde as nuvens se formam, está o Aeroporto Internacional de Gibraltar, onde passageiros de jatos de passageiros e helicópteros têm uma vista rara e deslumbrante, mesmo em dias nublados. De acordo com a Royal Meteorological Society do Reino Unido, o vento pode soprar em qualquer época do ano, mas é mais comum de junho a outubro.

A nuvem Levanter é uma forma de um tipo mais comum de nuvem, as nuvens orográficas, ou seja, formadas pelo relevo, explica a editoria de clima do Washington Post. No gênero de nuvens orográficas estão nuvens conhecidas como as lenticulares. O Rochedo de Gibraltar é um lugar perfeito para a formaçãs, mas essas nuvens também podem ser avistadas em picos como o Monte Everest no Himalaia e o Matterhorn nos Alpes. Até no Rio de Janeiro já foram vistas no Pão de Açúcar.

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Nuvens lenticulares se formam quando o ar úmido é levado até o topo de uma montanha e esfria até o ponto de saturação, ponto em que se condensa em uma nuvem. Ao contrário das nuvens que atravessam o céu, uma nuvem lenticular adquire sua forma única quando o ar úmido descende depois de subir a montanha e seca, deixando uma nuvem menor em forma de disco.

A elevação orográfica também pode criar condições atmosféricas únicas nas montanhas e ao redor delas. No lado de barlavento de grandes montanhas, onde o ar úmido ascendente se condensa em nuvens densas, muita chuva e neve podem cair, mantendo o lado de barlavento exuberante e verde.

No entanto, o ar restante que passa pela montanha em direção ao lado de sotavento fica sem a maior parte de sua umidade, deixando o lado de sotavento das montanhas alto e extremamente seco. É que ocorre, por exemplo, com o vento Zonda a Leste dos Andes, na Argentina.