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A formação de uma nuvem lenticular sobre a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, foi registrada em vídeo de velocidade acelerada (time lapse). Este tipo de formação ocorre pela interação do vento com o cume de montanhas ou morros, sendo comum em regiões de cordilheiras. O vídeo foi gravado ontem por Bruno Boni de Oliveira e enviado para a MetSul.


Considerado um dos cartões postais do Rio, a Pedra da Gávea é o maior monolito à beira mar do mundo. Com mais de 800 metros de altitude, por sua localização e características, sempre foi uma referência para navegadores. Somente em 1830 as primeiras expedições começaram a ser empreendidas ao seu topo, que, desde então, recebe grande número de visitantes em suas trilhas e encostas rochosas, tornando-se uma referência carioca para a prática do montanhismo. Pela sua altitude elevada e a grande proximidade do oceano com amplo aporte de umidade é comum este tipo de formação lenticular no alto da montanha.

Não é fácil chegar ao alto da Pedra da Gávea. Trata-se de uma trilha com grau de dificuldade pesado e, aproximadamente, três horas de caminhada, por isso deve ser feita apenas por pessoas com bom preparo físico e acostumadas a caminhadas pesadas e técnicas.

O que são as nuvens lenticulares?

Vento e relevo estão por trás das nuvens lenticulares. Por isso, este tipo de nuvem é comum de se observar em regiões de cadeias montanhosas ou cordilheiras como os Andes, Rochosas, Himalaia, etc. As nuvens lenticulares não se movem. Elas se formam e se transformam continuamente num mesmo ponto à medida que o ar ascende na atmosfera sobre morro ou montanha, condensando-se e produzindo a nuvem.

Estão assim, associadas, a ondas na atmosfera que se desenvolvem quando o ar relativamente estável ascende rapidamente ao encontrar uma barreira topográfica perpendicular à direção do vento soprando em altos níveis da atmosfera. As nuvens lenticulares são mais comuns no inverno porque o vento em níveis mais altos da atmosfera geralmente é mais forte. Na história da ufologia, muitas vezes foram confundidas com discos voadores pelo seu aspecto semelhante, tanto que são conhecidas também como nuvens UFO (OVNI em Inglês).

As nuvens lenticulares se formam normalmente entre 6 mil e 12 mil metros de altitude, como dito, com a presença de vento mais forte. O mapa de hoje de vento em altitude mostrava forte vento na altitude em que os aviões voam sobre o Centro da Argentina pela corrente de jato subtropical e vento forte em altura também na ponta Norte da península antártica pelo efeito do jato polar.


Quando aeronaves encontram uma onda de montanha, em regra há turbulência forte a até severa. Quem já viajou para o Chile, por exemplo, deve lembrar dos pilotos invariavelmente alertando para o risco de turbulência momentos antes de se cruzar a Cordilheira dos Andes. A Antártida também tem nuvens lenticulares.

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Uma das formas de se constatar a presença de ondas de montanha é justamente a presença de nuvens lenticulares. Quando o ar está muito seco, entretanto, e as nuvens não se formam, os pilotos não têm a advertência visual sobre o risco de turbulência na presença das ondas. Aqui na América do Sul, o local onde as nuvens lenticulares são mais comuns é na região da Cordilheira dos Andes, onde as montanhas atingem até mais de seis mil metros de altitude.

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