Os impactos do El Niño começam a se intensificar no Centro-Sul do Brasil à medida que a primavera avança e o fenômeno se fortalece no Oceano Pacífico Equatorial, onde já atinge intensidade histórica e com níveis de aquecimento das águas jamais observados nesta época do ano.

Paraná tem alto risco de enchentes por excesso de chuva nas próximas semanas | GILSON ABREU/AEN-PR
De acordo com o boletim desta semana da NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar é de +3,3ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global, conforme o índice ONI. Já pelo novo índice relativo (RONI), a anomalia era de +2,4ºC.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño. Também pelo RONI, a anomalia está na categoria de Super El Niño.
De acordo com dados da NOAA levantados pela MetSul Meteorologia, com base no índice ONI, que a MetSul e grande parte da comunidade meteorológica considera como a melhor métrica para comparação histórica do El Niño, a anomalia da temperatura da superfície do mar no começo de outubro era de +2,0ºC no Super El Niño de 1982-1983; +2,0ºC no Super El Niño de 1997-1998; +2,1ºC no Super El Niño de 2015-2016; e +1,5ºC no Super El Niño de 2023-2024.
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Em outras palavras, nunca se observou um El Niño tão intenso nesta época do ano e os seus efeitos no Centro-Sul do Brasil se manifestam principalmente na forma de chuva excessiva e maior frequência de temporais, o que ficará bastante evidente com o que vai ocorrer nas próximas semanas.
Quais estados sentirão mais os efeitos do El Niño nas próximas semanas
Dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam que os impactos do fenômeno El Niño podem ser significativos nas próximas semanas numa extensa área entre o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil com chuva volumosa a excessiva e alta frequência de temporais.
Os mapas abaixo mostram as projeções de anomaliaa de chuva (desvio da média e não totais de precipitação) para as próximas duas quinzenas, quase até a metade de novembro, do modelo CFS da agência de tempo e clima dos Estados Unidos, que você tem acesso em nossa plataforma de dados de modelagem numérica (clique aqui e assine).

METSUL

METSUL
Como se observa pela projeção, a chuva deve ficar acima a muitíssimo acima da média numa área que compreende os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e partes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
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Os volumes acumulados entre o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo tendem a ser particularmente altos até o final deste mês com marcas mesmo extremas em partes destes estados, o que vai inevitavelmente trazer inundações e cheias de rios com enchentes.
Paraná é o estado que mais preocupa
Há um consenso entre os dados analisados pela MetSul de que o Paraná deve ser o estado mais castigado por excesso de chuva no restante deste mês de outubro. Vários modelos de previsão, especialmente os com tendência para 10 a 15 dias, apresentam um cenário muito preocupante de precipitação para o território paranaense, especialmente considerando que já choveu muito no estado.
Modelos, em geral, projetam chuva de 100 mm a 300 mm para grande parte do estado do Paraná até o fim do mês, mas em algumas rodadas as simulações trazem projeções até mais extremas com acumulados de 300 mm a 500 mm pontos do Paraná.
Assim, é muito alto o risco de inundações e cheias de rios com enchentes no estado ao longo da próxima semanas com a persistência de um padrão de instabilidade bastante frequente e que trará sucessivos episódios de chuva volumosa.