O Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, adotou medidas preventivas de segurança diante da elevação da vazão do Rio Iguaçu, provocada pelas chuvas que atingem o estado com volumes excessivos por vários dias.

Vazão das Cataratas do Iguaçu está dez vezes acima do normal | CHRISTIAN RIZZI/AFP/METSUL
Na manhã de segunda-feira (12), o volume de água nas Cataratas chegou a 11,8 milhões de litros por segundo, o maior registrado em 2026 até então. Na madrugada desta quarta-feira (14), a vazão seguia aumentado e já atingia 15,5 milhões de litros por segundo.
As Cataratas do Iguaçu já registraram vazões extraordinárias e muito superiores à média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. O recorde absoluto ocorreu em junho de 2014, quando o volume chegou a 46,3 milhões de litros por segundo, equivalente a mais de 30 vezes a vazão normal das quedas.
A segunda maior marca foi registrada em julho de 1983, durante um dos episódios mais intensos de El Niño do século XX, quando a vazão alcançou 35 milhões de litros por segundo.
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Mais recentemente, em outubro de 2023, as Cataratas atingiram cerca de 24,2 milhões de litros por segundo, após uma sequência de chuvas intensas na região. O volume provocou danos em estruturas no lado argentino. Em outubro de 2022, a vazão também foi excepcional, chegando a 16,5 milhões de litros por segundo.
Protocolo de segurança nas Cataratas
A concessionária Urbia+Cataratas, responsável pela gestão da visitação turística, retirou na manhã da terça (13) as grades da passarela das Cataratas para permitir a livre passagem da água. A estrutura estava interditada desde domingo (11), devido ao aumento da vazão.
O protocolo de segurança também determinou o fechamento preventivo do Circuito São João e do Espaço Usina, na segunda-feira. O mobiliário deste último foi removido para evitar danos. Permanecem interditados ainda o mirante inferior do Espaço Naipi, o Caminho do Poço Preto e a Trilha da Canafístula.
A Trilha das Cataratas continua aberta à visitação. O parque mantém equipes de segurança e operação mobilizadas, com atuação de bombeiros civis. Em condições normais, o monitoramento da vazão é diário, mas passa a ser realizado a cada hora durante períodos de cheia.
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A passarela é fechada preventivamente quando a vazão supera 8,5 milhões de litros por segundo e apresenta tendência de alta. A retirada das grades ocorre quando o volume fica entre 9 milhões e 12 milhões de litros por segundo, também com tendência de aumento. A reabertura depende da avaliação técnica, da autorização de um engenheiro especializado e de condições seguras para os visitantes.
Mais chuva na bacia do Iguaçu
Há um consenso entre os dados analisados pela MetSul de que o Paraná deve ser o estado mais castigado por excesso de chuva no restante deste mês de outubro. Vários modelos de previsão, especialmente os com tendência para 10 a 15 dias, apresentam um cenário muito preocupante de precipitação para o território paranaense.
Modelos, em geral, projetam chuva de 100 mm a 300 mm para grande parte do estado do Paraná até o fim do mês, mas em algumas rodadas as simulações trazem projeções até mais extremas com acumulados de 300 mm a 500 mm pontos do Paraná.
Com isso, a tendência é que a vazão nas Cataratas do Iguaçu siga acima a muito acima do normal nas próximas semanas, o que deve fazer com que as restrições para visitas em parte do parque sejam duradouras.