Manhã deste domingo em Lagoa Vermelha | LARRY CARON

O cinza é a marca de julho até agora no Rio Grande do Sul. Embora o sol tenha aparecido em algumas áreas do estado, milhões de gaúchos experimentam um começo de mês de muita umidade e abundante nebulosidade com nevoeiro e neblina persistentes em diversas cidades.

Imagem de satélite do meio-dia deste domingo pelo canal visível mostrava muitas nuvens baixas cobrindo o Rio Grande do Sul com nevoeiro em diversos pontos | METSUL

A imagem de satélite do meio-dia deste domingo mostrava a maior parte do território gaúcho coberto por nuvens predominantemente baixas, indicando a presença de nevoeiro e neblina em muitos pontos do estado. Em alguns locais, o nevoeiro persiste desde ontem e não se dissipou.

No final da manhã deste domingo, os aeroportos ou bases aéreas de Porto Alegre, Canoas, Pelotas e Santa Maria reportavam restrição de visibilidade pela presença seja de nevoeiro ou neblina. É um horário em que normalmente os bancos de nevoeiro já teriam se dissipado.

Às 12h, o Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre tinha visibilidade horizontal reduzida a 4000 mil metros por neblina. O aeródromo da capital chegou a informar chuvisco fraco durante a manhã deste domingo. Em Canoas, ao meio-dia, a visibilidade também era de 4000 metros.

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Ontem, o nevoeiro já havia marcado presença em muitas cidades. Porto Alegre teve nevoeiro (visibilidade horizontal inferior a mil metros) no Aeroporto Salgado Filho entre 6h e 8h da manhã do sábado. No momento de maior restrição, às 6h30, a visibilidade era de tão-somente de 100 metros, uma das menores deste ano no aeroporto.

Depois das 8h, subiu a visibilidade e o aeroporto reportou neblina (visibilidade reduzida acima de mil metros) até o final da manhã. À tarde, a nebulosidade predominou na capital gaúcha e chegou a ocorrer chuva leve na cidade por volta das 14h e 15h do sábado.

Por que o tempo tão cinzento e tanto nevoeiro e neblina neste começo de julho no Rio Grande do Sul? A resposta passa pelo perfil térmico da atmosfera sobre o estado neste começo de mês. Vamos às explicações.

A atmosfera está mais úmida perto do solo e existe ar quente ingressando em níveis mais altos da atmosfera sobre o Rio Grande do Sul enquanto perto da superfície a temperatura ainda está mais baixa por efeito do ar mais frio que ingressou no final da semana passada.

Umidade em superfície projetada pelo modelo GFS para 15h hoje | METSUL

Esse contraste vertical de temperatura entre ar mais frio perto da superfície e mais quente em camadas acima na atmosfera proporciona a formação de nuvens baixas, nevoeiro e neblina em muitos locais.

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Ontem, dados por sondagem do balão meteorológico lançado às 9h do sábado na base aérea de Santa Maria indicavam temperatura em superfície de 12,6ºC, mas entre 600 metros e 1500 metros de altitude a temperatura era superior com 17ºC entre 800 metros e 1000 metros.

Ar mais quente presente no nível de 1.500 metros de altitude | METSUL

Em Porto Alegre, a inversão foi menor ontem. A sondagem das 9h tinha temperatura de 12,6ºC em superfície e 14,4ºC em 1.100 metros. Já a sondagem das 21h acusou 13,8ºC em superfície e 15,4ºC a 900 metros de altitude.

Há um centro de alta pressão de 1.024 hPa sobre o Oceano Atlântico a Leste do Rio Grande do Sul. Quando as altas pressões estão sobre o mar, a condição se torna mais propícia para que se forme nevoeiro e neblina, o que o ar quente ingressando em altura acaba por acentuar pela inversão térmica que se forma.

Alta pressão na costa colabora para formar nevoeiro | METSUL

Nos próximos dias, bancos de nevoeiro e neblina assim como nuvens baixas devem persistir, mas devem durar menos e o sol aparecerá na maioria das cidades. Com isso, a tendência é que a temperatura se eleve mais à tarde no decorrer da semana sob a presença do ar mais quente sobre o Rio Grande do Sul.