Um poderoso rio atmosférico que avança pelo Pacífico rumo à América do Sul vai atingir o Chile nesta semana e provocará um dos episódios meteorológicos mais significativos de instabilidade dos tempos recentes no país. O corredor de umidade acompanhará uma sequência de sistemas frontais que trará chuva extrema, tempestades, ventos intensos e fortes nevadas na Cordilheira dos Andes, elevando o risco de transtornos em diversas regiões chilenas.

Mapa do modelo mostra o rio atmosférico

Rio atmosférico que avança do Pacifico vai aitngir o Centro do Chile | METSUL

As projeções dos principais modelos meteorológicos indicam que o evento será favorecido pelo primeiro grande episódio de tempo severo associado ao El Niño 2026-2027. A combinação entre vários centros de baixa pressão e um intenso transporte de umidade do Pacífico criará condições para vários dias consecutivos de precipitação sobre parte importante do território chileno.

O rio atmosférico deverá alcançar categoria 4 e, em alguns momentos, categoria 5, o nível máximo da escala utilizada para classificar estes corredores de vapor d’água. Sistemas dessa intensidade conseguem transportar enormes volumes de umidade desde as regiões tropicais do Oceano Pacífico até a costa Oeste da América do Sul.

A expectativa é que o primeiro sistema frontal avance durante a metade da semana e seja seguido por novas frentes entre sexta-feira e o fim de semana. Com isso, a chuva poderá persistir durante cinco a seis dias consecutivos em diversas localidades da zona central chilena, sem longos períodos de interrupção.

As regiões mais afetadas devem ser Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana, O’Higgins, Maule, Ñuble e Biobío, embora a influência do sistema alcance uma área ainda maior do país. Do Norte, da região de Atacama, até o Sul do Chile são esperadas precipitações em algum momento do episódio.

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A Direção Meteorológica do Chile já emitiu avisos para precipitações de moderadas a fortes, enquanto o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres colocou diversas regiões em estado de alerta preventiva diante do potencial de impactos provocados pelo longo período de instabilidade.

Em Santiago, a expectativa é de vários dias seguidos de chuva. As estimativas oficiais apontam acumulados superiores a 70 mm entre quinta e sexta-feira, mas diferentes projeções sugerem que os totais poderão ser muito maiores caso o corredor de umidade permaneça estacionário sobre a região.

Meteorologistas chilenos alertam que algumas áreas da Região Metropolitana poderão registrar mais de 100 mm durante o evento. Há previsões mais extremas indicando acumulados acima de 150 mm em Santiago e até 250 milímetros em setores do Cajón del Maipo caso as condições mais severas se confirmem.

Na região de Coquimbo, os modelos numéricos projetam acumulados extraordinários para uma área que normalmente apresenta clima semiárido. Em diversas localidades são previstos totais superiores a 150 mm, enquanto alguns cenários simulam marcas próximas ou superiores a 250 mm a 300 mm durante todo o episódio.

Em Valparaíso, as projeções também impressionam. Alguns modelos indicam volumes superiores a 300 milímetros em determinados municípios costeiros caso o rio atmosférico permaneça canalizando umidade diretamente contra o relevo da região durante vários dias consecutivos.

Modelos projetam até 300 mm de chuva no Centro do Chile

Modelos projetam até 300 mm de chuva no Centro do Chile | METSUL

O relevo chileno desempenha papel fundamental nesse tipo de situação. Quando a corrente de umidade encontra a Cordilheira da Costa e posteriormente os Andes, o ar é forçado a subir, resfria rapidamente e favorece precipitações persistentes e, muitas vezes, extremamente volumosas.

Além da chuva intensa, o evento será acompanhado por ventos fortes. As rajadas poderão alcançar entre 70 km/h e 100 k/h em setores costeiros e, na cordilheira, superar os 100 km/h durante a passagem dos sistemas frontais mais intensos.

As condições também favorecem a ocorrência de temporais isolados. A combinação entre abundante umidade, ar frio em altitude e forte dinâmica atmosférica poderá gerar nuvens convectivas capazes de produzir chuva intensa em curto período, descargas elétricas e queda localizada de granizo.

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No extremo Sul do Chile, a instabilidade será intensa em alguns momentos. A Direção Meteorológica do Chile emitiu avisos para a possibilidade de nuvens convectivas tornádicas, fenômeno que pode resultar em trombas marinhas, nuvens funil e até tornados localizados.

Outro destaque será a neve. Diferentemente de outros eventos recentes, este sistema frontal será acompanhado por uma massa de ar progressivamente mais fria, permitindo que a isoterma de zero grau diminua de forma significativa durante o avanço das frentes.

Com temperaturas mais baixas em altitude, grandes volumes de precipitação deverão ocorrer na forma de neve sobre a Cordilheira dos Andes. As estimativas oficiais apontam acumulados diários entre 50 e 90 centímetros em vários trechos da cordilheira entre Valparaíso e Biobío.

Na cordilheira da região de Coquimbo também são esperadas nevadas expressivas, com dezenas de centímetros de neve nova. O vento intenso poderá reduzir drasticamente a visibilidade e dificultar ou impedir o tráfego pelas principais passagens internacionais com a Argentina.

As autoridades monitoram o risco de alagamentos urbanos, transbordamento de rios, deslizamentos de terra e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Solos encharcados e vários dias consecutivos de precipitação aumentam significativamente o potencial para ocorrências de impacto.