A onda de calor excepcional que atinge a Espanha está criando um cenário altamente favorável para incêndios florestais de grandes proporções. Em meio a temperaturas próximas ou superiores a 40ºC em diversas regiões do país, um incêndio no sul espanhol deixou pelo menos 11 mortos, dezenas de feridos e desaparecidos, tornando-se uma das tragédias mais graves dos últimos anos.

Foto mostra onda de calor na Espanha

ALEX CAMARA/ANADOLU/AF/METSUL

O incêndio ocorreu na região de Los Gallardos, na província de Almería, na comunidade autônoma da Andaluzia. As chamas avançaram rapidamente sobre uma área montanhosa coberta por vegetação seca, surpreendendo moradores e turistas que tentavam escapar do fogo.

Entre as vítimas estão quatro pessoas que, segundo as autoridades, seriam cidadãos britânicos. Elas morreram carbonizadas dentro de um automóvel enquanto tentavam fugir. Outras sete pessoas perderam a vida ao buscar uma rota de escape a pé em meio ao terreno acidentado e tomado pela fumaça.

As autoridades informaram ainda que diversas pessoas ficaram feridas e centenas precisaram ser retiradas de suas casas às pressas. Aproximadamente 800 moradores e turistas foram evacuados, enquanto centenas de bombeiros e militares trabalharam para conter as chamas.

Embora a causa do incêndio ainda esteja sob investigação, testemunhas relataram que um cabo de energia elétrica pode ter se rompido e iniciado o fogo. Independentemente da origem, as condições meteorológicas favoreceram uma propagação extremamente rápida das chamas.

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O calor intenso reduz drasticamente a umidade da vegetação, transformando árvores, arbustos e gramíneas em combustível altamente inflamável. Quando esse ambiente seco é combinado com ventos fortes e baixa umidade relativa do ar, qualquer foco de incêndio pode crescer rapidamente e se tornar praticamente incontrolável.

Foi exatamente esse cenário que os bombeiros encontraram na Andaluzia. Segundo as autoridades regionais, os ventos espalharam o fogo durante a noite, enquanto o relevo montanhoso dificultava o acesso das equipes de combate e limitava o uso de máquinas pesadas.

O incêndio consumiu milhares de hectares entre áreas florestais e agrícolas, obrigando ao fechamento de estradas e mobilizando a Unidade Militar de Emergências da Espanha, especializada em grandes desastres naturais.

A tragédia acontece durante uma das mais intensas ondas de calor registradas no país nos últimos anos. Diversas regiões espanholas permaneceram sob alerta vermelho, o nível máximo de risco emitido pela Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).

O episódio mais impressionante ocorreu em Barcelona, cidade cuja proximidade do Mar Mediterrâneo normalmente impede temperaturas extremas. Na quarta-feira, o tradicional Observatório Fabra registrou 40,7ºC, estabelecendo um novo recorde absoluto em mais de um século de medições meteorológicas. O valor superou a antiga máxima histórica de 40,0ºC registrada apenas dois anos antes.

Também o observatório localizado no aeroporto de Barcelona estabeleceu novo recorde. A temperatura atingiu 37,7ºC, a maior desde o início das observações naquele local, em 1924. Segundo a Aemet, foi a primeira vez que os dois observatórios centenários de referência da cidade quebraram simultaneamente seus recordes históricos de temperatura máxima.

Os registros mostram como o calor extremo vem deixando de ser um evento raro para se tornar cada vez mais frequente na Espanha. Além das temperaturas elevadas durante a tarde, as noites também permanecem muito quentes, dificultando o resfriamento da vegetação e impedindo que a umidade seja parcialmente recuperada durante a madrugada.

Essa combinação aumenta significativamente o risco de incêndios florestais e também favorece que os focos se mantenham ativos durante toda a noite, dificultando ainda mais o trabalho das equipes de combate. Especialistas destacam que incêndios impulsionados por calor extremo costumam apresentar comportamento muito mais agressivo.

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As chamas avançam com maior velocidade, produzem colunas intensas de calor e podem mudar rapidamente de direção quando encontram rajadas de vento. As características reduzem drasticamente o tempo disponível para evacuação e ajudam a explicar por que alguns incêndios acabam produzindo elevado número de vítimas, mesmo em áreas relativamente povoadas.

Nos últimos anos, a Espanha vem registrando sucessivas ondas de calor com temperaturas acima de 40ºC em diferentes regiões do país. O fenômeno também passou a atingir áreas tradicionalmente mais amenas, incluindo localidades próximas ao litoral mediterrâneo.

O mês de junho deste ano foi o segundo mais quente já registrado na Espanha desde o início das medições meteorológicas, com temperatura média 3,2ºC acima da climatologia. O resultado ficou atrás apenas do recorde observado em 2025.

A repetição de episódios de calor extremo aumenta o período anual de risco para incêndios florestais, antecipando o início da temporada crítica e prolongando as condições favoráveis à propagação do fogo.

A comunidade científica afirma que as mudanças climáticas provocadas pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa estão tornando as ondas de calor mais frequentes, intensas e duradouras em grande parte da Europa. Esse cenário eleva o potencial para incêndios de grandes proporções, especialmente em países mediterrâneos como Espanha, Portugal, Grécia e Itália.