Anúncios

Uma das mais intensas ondas de calor já registradas no Leste dos Estados Unidos continua castigando o país durante o feriado dos 250 anos da independência norte-americana. O calor extremo atinge cerca de 150 milhões de pessoas, quebra recordes históricos em dezenas de cidades e leva autoridades a emitir alertas para riscos à saúde em uma extensa área entre o Meio-Oeste, o Nordeste e o Sudeste do país.

Foto mostra o calor nos Estados Unidos

FINN GOMEZ/GETTY IMAGES/AFP/METSUL

As temperaturas excepcionalmente altas ocorrem justamente no período em que milhões de norte-americanos saem de casa para aproveitar praias, parques, churrascos e os tradicionais espetáculos de fogos de artifício do 4 de Julho. Em muitas localidades, entretanto, as comemorações precisaram ser adaptadas ou até canceladas por causa do calor intenso.

O fenômeno é provocado por um forte bloqueio atmosférico conhecido como “heat dome”, ou domo de calor. Trata-se de uma extensa área de alta pressão que funciona como uma tampa sobre a atmosfera, comprimindo o ar, favorecendo seu aquecimento e impedindo a entrada de massas de ar mais frias.

Sem renovação do ar, o calor se acumula dia após dia. O resultado são vários dias consecutivos de temperaturas muito acima da média, acompanhadas por elevada umidade, o que torna o ambiente ainda mais perigoso para a população.

Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), mais de 150 milhões de pessoas permanecem sob alertas relacionados ao calor extremo. Em parte do Vale do Ohio, do Meio-Atlântico e da costa Leste, o nível de risco atingiu a categoria máxima da escala utilizada pelas autoridades de saúde e meteorologia.

Desde o meio da semana, recordes de temperatura máxima foram quebrados ou igualados em 21 estados norte-americanos, evidenciando a dimensão da onda de calor.

Leia tambémFoto impressiona: raios dominam Nova York antes do jogo do Brasil

Na quinta-feira, Newark, em Nova Jersey, alcançou 40,6ºC. O aeroporto LaGuardia, em Nova York, registrou 40ºC, enquanto Baltimore, Wilmington, Atlantic City e Poughkeepsie atingiram aproximadamente 39,5ºC.

Washington teve máxima de 38,9ºC e Boston chegou a 38,3ºC. No Central Park, em Nova York, os termômetros marcaram 37,8ºC, valor suficiente para igualar o recorde diário da cidade.

Na Filadélfia, a máxima chegou a 39,4ºC, igualando outro recorde histórico. Tanto Nova York quanto Filadélfia registraram dois dias consecutivos acima dos 37,8ºC pela primeira vez desde 2011.

Em Boston, fazia mais de duas décadas que a temperatura não ultrapassava os 37,8ºC. A última ocorrência semelhante havia sido registrada em 2002.

Mas a temperatura do ar conta apenas parte da história. A elevada umidade faz com que a sensação térmica alcance níveis ainda mais extremos.

Em grande parte do corredor urbano entre Washington e Nova York, os índices de calor permaneceram entre 38ºC e 43ºC. Em pontos da Virgínia, a sensação térmica aproximou-se dos 49ºC, aumentando significativamente o risco de exaustão e insolação.

Os meteorologistas observam que os níveis de umidade registrados no Nordeste dos Estados Unidos foram semelhantes aos normalmente encontrados em cidades subtropicais muito abafadas, como Miami, Nova Orleans e Houston.

Outro aspecto que preocupa os especialistas é a ausência de resfriamento durante a noite. No aeroporto LaGuardia, em Nova York, os termômetros ainda indicavam cerca de 34ºC à meia-noite, estabelecendo um novo recorde para o horário. No Central Park, a temperatura mínima ficou em torno de 29ºC, uma das noites mais quentes da história da cidade.

Quando as temperaturas permanecem muito elevadas durante a madrugada, o organismo humano perde a oportunidade de dissipar o calor acumulado ao longo do dia, aumentando o estresse térmico e elevando o risco de complicações médicas, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias.

Leia tambémSede do próximo jogo do Brasil decreta emergência por calor

Segundo a NOAA, o calor extremo é o fenômeno meteorológico que mais provoca mortes nos Estados Unidos, superando furacões, tornados, enchentes e tempestades de inverno.

A onda de calor também provocou mudanças na programação das comemorações da independência americana. Na Filadélfia, berço da independência do país, o tradicional desfile foi cancelado poucas horas antes do início em razão das condições meteorológicas.

Outros eventos tiveram horários alterados para evitar a exposição da população durante o período de maior calor. Organizadores recomendaram hidratação constante, busca por locais climatizados e redução das atividades físicas ao ar livre.

Ao mesmo tempo, o enfraquecimento gradual do domo de calor começa a favorecer a formação de tempestades severas na borda da alta pressão.

A combinação entre calor intenso, elevada umidade e a aproximação de sistemas frontais cria um ambiente propício para temporais com rajadas de vento destrutivas, chuva intensa, descargas elétricas e possibilidade de alagamentos, especialmente entre o Meio-Atlântico e o Nordeste.

A previsão indica que o calor começará a perder intensidade entre domingo e segunda-feira no Nordeste dos Estados Unidos, à medida que uma frente fria avance pela região. Mesmo assim, temperaturas muito acima da média ainda devem persistir por mais alguns dias nas Carolinas e em parte do Sudeste do país, antes que o padrão atmosférico finalmente seja rompido.