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A cidade de Nova York, sede do Brasil do jogo das oitavas de final da Copa do Mundo no domingo (5) contra a Noruega, enfrenta uma das mais intensas ondas de calor dos últimos anos às vésperas da festa de 250 anos de independência dos Estados Unidos e meio a Copa do Mundo.

Foto mostra calor em Nova York

Nova York em emergência por calor extremo |CHARLY TRIBALLEAU/AFP/METSUL

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A combinação de temperaturas excepcionalmente elevadas, umidade muito alta e noites abafadas transformou a metrópole em um verdadeiro forno a céu aberto, levando as autoridades a decretarem medidas emergenciais para proteger a população durante vários dias consecutivos de calor extremo. A prefeitura de Nova York decretou emergência por calor.

O período mais crítico ocorre entre esta quinta (2) e sexta-feira (3), quando os termômetros podem alcançar os 40°C na cidade. Com a umidade elevada, entretanto, a sensação térmica poderá ficar entre 43°C e 46°C, criando condições perigosas para qualquer atividade ao ar livre e aumentando significativamente o risco de exaustão e insolação.

O Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de calor extremo para toda a região de Nova York, válido até o sábado (4), cobrindo justamente o período do feriado de 4 de julho, quando milhões de pessoas costumam ocupar parques, praias e espaços públicos para acompanhar as tradicionais comemorações e os espetáculos de fogos de artifício.

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Caso a temperatura oficial medida no Central Park alcance 37,8°C, equivalentes a 100 graus Fahrenheit, será a primeira vez que Nova York registra esse valor desde julho de 2012. Mais impressionante ainda seria a repetição da marca na sexta-feira, algo que não ocorre desde 2011.

O calor é provocado por um poderoso domo atmosférico que cobre grande parte da metade Leste dos Estados Unidos. O sistema funciona como uma tampa sobre a atmosfera, impedindo a renovação do ar e favorecendo o acúmulo contínuo de calor junto à superfície. O resultado são dias muito quentes, umidade elevada e pouca ventilação.

Nem mesmo durante a madrugada a população consegue encontrar alívio. Em diversos bairros da cidade, as temperaturas permanecem acima de 27°C durante toda a noite. Essas chamadas noites tropicais impedem o resfriamento das edificações, elevam o consumo de energia elétrica e aumentam o risco para idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias.

A qualidade do ar também piorou significativamente. A combinação entre o calor intenso e a atmosfera estagnada favoreceu o aumento da concentração de ozônio próximo à superfície, levando as autoridades a emitirem alertas para que pessoas sensíveis reduzam atividades físicas ao ar livre.

Diante da situação excepcional, a prefeitura de Nova York colocou em prática um amplo plano de resposta à emergência climática. Foram abertos centenas de centros de resfriamento distribuídos pelos cinco distritos da cidade, funcionando em bibliotecas, centros comunitários e prédios públicos climatizados.

O município também ampliou o horário de funcionamento das piscinas públicas, que passaram a permanecer abertas até mais tarde para oferecer uma alternativa de lazer e alívio térmico durante as horas mais quentes do dia. Além disso, unidades móveis percorrem diferentes bairros distribuindo água, eletrólitos e prestando atendimento básico a pessoas vulneráveis.

Equipes de assistência social intensificaram o trabalho junto à população em situação de rua. Centenas de agentes percorrem as ruas oferecendo transporte para abrigos climatizados, atendimento médico e encaminhamento para centros de resfriamento, numa tentativa de evitar casos de hipertermia.

O prefeito Zohran Mamdani também pediu que todos os moradores façam sua parte para reduzir a pressão sobre o sistema elétrico da cidade. A orientação é manter os aparelhos de ar-condicionado regulados em torno de 26°C, evitar o uso simultâneo de equipamentos de alto consumo e transferir atividades como lavagem de roupas e recarga de veículos elétricos para o período da noite.

A concessionária Con Edison mobilizou equipes extras e chegou a reduzir a tensão da rede elétrica em algumas áreas do Bronx e do Norte de Manhattan para proteger equipamentos diante da enorme demanda por eletricidade causada pelo uso contínuo dos aparelhos de ar-condicionado.

O calor também interfere na infraestrutura urbana. As altas temperaturas podem provocar dilatação de trilhos ferroviários, deformação do asfalto, problemas em pontes móveis e maior risco de interrupções no fornecimento de energia caso ocorram tempestades nos próximos dias.

Embora a massa de ar extremamente quente continue predominando até o fim de semana, há previsão de pancadas isoladas de chuva entre sexta-feira (3) e domingo (5). As tempestades poderão produzir rajadas de vento, chuva forte, descargas elétricas e até granizo localizado.

Apesar de trazerem algum alívio temporário, elas não devem encerrar imediatamente a onda de calor. A expectativa é de que apenas no início da próxima semana o domo de calor perca intensidade, permitindo a entrada de uma massa de ar menos quente sobre a região.