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Bombeiros combatem chamas em queimada nesta semana no Pantanal | Instituto Homem Pantaneiro/Divulgação

O Pantanal volta a queimar. Um ano depois da catástrofe ambiental que ardeu com um dos mais importantes biomas brasileiros e do mundo, destruindo quase 30% do Pantanal ou área equivalente a da Bélgica, uma série de incêndios mais uma vez castiga a região. O tempo muito seco em meio a uma estiagem excepcional e o calor extremo por muitos dias seguidos contribuem para a nova onda de queimadas que atinge flora e fauna da região.

Seis pontes de madeiras, que dão acesso a fazendas e vilarejos no Pantanal, foram destruídas pelo fogo nos últimos dias. As autoridades investigam, uma vez que em um dos casos foram encontradas latas de combustível nas proximidades. Um dos principais focos de fogo nesta semana se deu entre quinta e ontem às margens do Rio Paraguai e a fumaça invadiu Corumbá.


O Pantanal foi o bioma brasileiro mais atingido pelo fogo entre janeiro de 1985 e 2020, de acordo com levantamento publicado nesta semana pela MapBiomas. Nada menos que 57% da área do Pantanal queimou em algum momento nestes últimos 35 anos. Mais de 150 mil imagens de três diferentes satélites foram usadas no levantamento.

Menos fogo no Pantanal que em 2020

Apesar do retorno do fogo ao Pantanal, a situação é muito diferente até agora do ano passado com um número de queimadas bastante inferior ao mesmo período de 2020, mas pode piorar rapidamente. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em seu monitoramento por satélites, o número de focos de calor no bioma Pantanal entre 1º e 20 de agosto foi de 747. A média histórica de focos de calor no período 1998-2020 é de 1.596.

No estado do Mato Grosso do Sul, o monitoramento do Inpe indicou 1.510 focos de calor nos primeiros 20 dias deste mês. Em agosto do ano passado todo foram 2.508 focos. Já a média histórica mensal é de 1.795, logo a tendência é que 2021 repita a tendência do ano passado de superar a média.

Já em Mato Grosso, o número de focos de calor observado nos primeiros 20 dias do mês foi de 3.377, muito inferior aos 10.430 de agosto inteiro do ano passado. A média mensal histórica de Mato Grosso é de 9594 focos, logo existe a possibilidade de 2021 terminar com menos registro de fogo que a média, salvo um enorme salto de queimadas nestes 10 dias restantes de agosto.

Sensores de aerossol dos satélites SNPP e NOAA20 da NOAA registraram ontem a densa fumaça de queimadas (em vermelho) no Brasil, Peru, Bolívia, Argentina e Paraguai que mudou a cor do céu no Rio Grande do Sul | NOAA

No ano passado, grande parte da fumaça que chegava ao Sul do Brasil vinha do fogo no Pantanal e na Bolívia enquanto neste ano a maior parte da fumaça que este chegando ao Rio Grande do Sul se origina de incêndios que estão ocorrendo principalmente no Centro e no Sul do Paraguai, onde o calor extremo e a seca têm trazido um número incomum de incêndios e muitos de grandes proporções.

Seca severa e calor extremo no Pantanal

A região pantaneira enfrenta uma seca severa com índices de chuva abaixo da média que perduram desde o ano passado. A situação não mudou neste inverno que registra chuva abaixo dos padrões históricos da região e leva a uma grande diminuição dos níveis dos mananciais e ainda faz a vegetação ficar mais seca.

Enorme massa de ar muito seco e bastante quente, típica dos meses de agosto e setembro no Centro-Oeste, atua neste momento na área do Pantanal com umidade relativo do ar de 10% a 20% quase todos os dias e calor muito intenso que quando não supera os 40ºC tem ficado perto da marca praticamente todos os dias.


Meteograma com a projeção de chuva, temperatura, vento e outras variáveis do modelo norte-americano GFS para Corumbá nos próximos 15 dias | MetSul.com

Em Corumbá, por exemplo, a temperatura máxima na estação do Instituto Nacional de Meteorologia chegou nesta semana a 35,2ºC no último domingo (15), 37,8ºC na segunda, 39,1ºC na terça, 40,4ºC na quarta-feira, 39,2ºC na quinta e 38,5ºC na sexta. Já Cuiabá foi a 38,5ºC no último domingo, 39,4ºC na segunda, 40,2ºC tanto na terça como na quarta, 39,2ºC na quinta e 38,4ºC na sexta-feira (20).

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O pior do calor, entretanto, ainda está por vir. A tendência é a temperatura subir muito na primeira metade da semana que está por começar. Cuiabá deve ter máxima de 39ºC neste sábado, 40ºC na tarde do domingo, 41ºC na segunda-feira, e entre 41ºC e 42ºC na terça e na quarta-feira. Na segunda metade da semana, a tendência é o calor ceder bastante com ingresso de nuvens e uma frente fria mais ao Sul.

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