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Tempestades fortes a severas atingiram na noite de segunda-feira os vales, a Grande Porto Alegre, a Serra Gaúcha e o Litoral Norte. Os temporais, localmente destrutivos, vieram com granizo de médio a grande tamanho e ainda rajadas de vento fortes a intensas que provocaram danos na região metropolitana, na Serra e Litoral Norte. Em Canoas, estação meteorológica na base aérea registrou vento de 120,5 km/h.


A supercélula que passou pelo Vale do Rio Pardo, a Grande Porto Alegre e o Litoral Norte foi responsável por causar uma altíssima frequência de raios. Os relâmpagos se sucediam a cada segunda no céu da região metropolitana antes da chegada do temporal, sinalizando uma forte tempestade iminente. Grande parte dos raios era nuvem-nuvem, mas houve também raios do tipo nuvem-solo.

As descargas acompanhavam a evolução da supercélula de tempestade na dianteira de uma frente fria que avançava pelo Rio Grande do Sul. O sistema frontal trouxe muitos raios também na Metade Norte gaúcha, incluindo a Serra Gaúcha que foi assolada igualmente por vendavais em alguns municípios, sobretudo mais a Leste da região.

Na Serra gaúcha, o que chamou atenção foram raios de coloração avermelhada que foram observados a partir de Caxias do Sul. O registro das descargas de cor vermelha foi feito pelo colaborador da MetSul na cidade da Serra Denis Goerl.

Raios vermelhos vistos ontem à noite no horizonte de Caxiaas do Sul | DENIS GOERL

Afinal, porque a cor vermelha? Raios vermelhos não existem no sentido literal, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos. O fenômeno conhecido mais próximo é algo chamado de sprite vermelho, que ocorre no alto da atmosfera “diretamente acima de uma tempestade ativa”, diz a NOAA. “Eles raramente são vistos a olho nu e os registros são feitos com câmeras não raro com lentes especiais”, relata a NOAA, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos.

Pontos vernelhos indicam focos de calor identificados por satélite em razão de queimadas no dia de ontem | NASA/FIRMS

O que determinou a cor avermelhada nos raios, conforme a análise da MetSul Meteorologia, foi a presença de material particulado na atmosfera, no caso fumaça de queimadas. Havia muitos focos de queimadas no Brasil ontem, como é comum nesta época do ano, e corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, um corredor vento a 1500 metros de altitude, originado na Bolívia e no Centro-Oeste, trazia fumaça para a Metade Norte gaúcha na dianteira da frente fria.

Corrente de vento em baixos níveis da atmosfera trazia fumaça de queimadas para a Serra Gaúcha | METSUL

A luz produzida por um raio ou relâmpago é branca. Quanto mais partículas no ar, maior o impacto na luz. A longas distâncias ou quando há muitas partículas no ar, os comprimentos de onda mais curtos da luz (azuis, índigos e violetas) tendem a ser absorvidos ou espalhados. Os comprimentos de onda mais longos (vermelhos, laranjas e amarelos) são o que restam.

Então, neste caso, tanto a distância da descarga elétrica quanto as partículas de fumaça no ar estão impedindo que a luz azul, índigo e violeta chegue ao observador, fazendo com que o relâmpago pareça vermelho. Portanto, a Serra não teve raios vermelhos. O que havia na atmosfera e a distância do observador geraram a percepção pelo efeito óptico de raios com tonalidade avermelhada.

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