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Diego Bencke

A primavera começa nesta sexta-feira (22) às 17h02m, marcando a transição do inverno para o verão após um dos invernos menos frios da história do Rio Grande do Sul. Chegou a nevar fraco, a temperatura no Estado no dia 19 de julho desceu a 7,8ºC abaixo de zero em São José dos Ausentes com geada intensa a severa, porém os episódios de frio intenso foram muito pontuais e todos os meses da estação tiveram marcas acima a muito acima do normal no Estado.

De acordo com os meteorologistas da MetSul Meteorologia, a primavera deste ano vai trazer mudanças importantes por conta de alterações no padrão geral de circulação atmosférica no planeta em consequência da mudança de fase no Oceano Pacífico. A estação começa com o Pacífico tecnicamente sob condição limítrofe entre neutralidade e La Niña, mas no decorrer da primavera pode ter início um evento de La Niña que perduraria, ao menos, até o verão.


“As anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Central Equatorial Central e Leste hoje estão em valores mínimos de La Niña e os dados indicam que o resfriamento das águas não apenas se manteria como se acentuaria durante a primavera, o que caracterizaria um episódio de La Niña no último trimestre do ano com possíveis impactos no regime de chuva aqui no Estado e na safra de verão que ora começa”, destaca a meteorologista da MetSul Estael Sias.

Projeções do pacote de modelos americanos e canadenses indica tendência de instalação de um evento de La Niña fraco a moderado

A primavera deve ter chuva próxima ou acima da média na maior parte na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. Episódios de chuva volumosa e intensa no Estado serão muito pontuais e regionalizados, não se esperando a repetição de uma altíssima frequência de dias chuvosos e com altos volumes como de 2015. “À medida que se aproxima o verão cresce a tendência de chuva irregular, o que pode trará riscos no campo com risco de escassez hídricas em algumas áreas”, destaca Estael.

Projeções integradas de vários modelos climáticos internacionais apontam para os trimestres outubro a dezembro e novembro a janeiro maior probabilidade de chuva abaixo da média no Oeste e no Sul do Rio Grande do Sul e próxima ou acima da média na Metade Norte do Estado

Modelo nacional ETA, por sua vez, aponta chuva mais volumosa na estação na Metade Sul com temperatura acima da média em todo o Sul do Brasil

A MetSul destaca que a primavera é período com maior frequência de tempestades, não raro severas com intensos vendavais e granizo. Há precedentes de tornados. Em 2015, com El Niño, houve muitos temporais. Neste ano, os temporais serão mais ocasionais, porém quando ocorrerem podem ser fortes. Inicialmente associados à incursões tardias de ar frio na estação, na segunda metade da primavera decorrerão da combinação de forte calor e umidade.

Como estação de transição para o verão, na primavera aumenta a frequência de dias de calor e diminui os de frio. O começo da estação ainda tem características mais amenas e o final já tem padrão de verão. Os dias de calor aumentam, especialmente entre novembro e dezembro, quando algumas jornadas podem ser muito quentes com possibilidade de ondas de calor. “A tendência é de uma primavera com temperatura acima da média, mantendo o que se observou no inverno”, antecipa Estael Sias.


Pacote de modelos americanos e canadenses assim como quase todos os modelos internacionais indicam uma primavera de temperatura acima da média

O contraste térmico entre ar frio na costa e ar quente no continente acentua o vento da tarde para a noite do quadrante Leste no decorrer da primavera, sobretudo em outubro e novembro, o que rendeu a expressão “Vento de Finados”.

 

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