Anúncios

Há um ano, em 4 de julho, o ciclone bomba já tinha feito seus estragos 4 dias antes com vento destrutivo nos três estados do Sul do Brasil. Muitas pessoas, entretanto, seguiam com suas casas e comércios às escuras pelos danos impostos pela ventania ao setor elétrico. Foi o pior episódio de tempo severo a atingir a rede elétrica do Sul do país na história com cerca de dez milhões de pessoas sem luz no pico da falta de energia.

No município catarinense de Ituporanga não foi diferente. As rajadas de vento acima de 100 km/h no dia 30 de junho deixaram a pequena localidade às escuras. Havia uma exceção, contudo, no breu que tomou conta da localidade. Um pequeno ponto no centro da área urbana de Ituporanga seguia com luz. E a escuridão do apagão permitia fazer uma fotografia única para a posteridade. A cidade às escuras por um ciclone bomba com a Via Láctea no céu.


Foi o que fez Luis Fernando Felipe Alves. Servidor do Corpo de Bombeiros Militar do estado de Santa Catarina e lotado em Ituporanga, Luis aproveita os seus dias de folga para aproveitar o seu hobby que é a fotografia. A escuridão trazida pelo ciclone garantiu a falta de poluição de luzes para registrar a fotografia que sempre desejou fazer. A Via Láctea sobre a sua cidade.

Luis Fernando Felipe Alves | Arquivo pessoal

“No dia do ciclone eu voltando da casa de meus avós em Curitibanos e quando cheguei em Ituporanga a região toda quase do Alto Vale do Itajaí estava às escuras. Eu pensei ‘bom, se continuar escuro até o outro dia, de madrugada, quando a via Láctea deitar o arco dela, eu vou conseguir fazer a foto”.

O bombeiro catarinense conta que programou o relógio para despertar às três da manhã e subiu o Morro da Antena em busca da fotografia. Narra que ventava muito e que fazia bastante frio com baixa sensação térmica sob uma temperatura de 6ºC. Segundo Luis Fernando, depois de algumas tentativas, conseguiu o registro que descreve como “único”.


Os únicos pontos iluminados naquela madrugada em Ituporanga eram o hospital e as torres da igreja devido à energia garantida por geradores de emergência. “Achei muito simbólico isso num dia tão ruim como foi. Apesar de um dia duro, era como se as torres da igreja apontassem pro alto, justamente pro centro da Via Láctea, a parte mais brilhante lá em cima”, conta o bombeiro catarinense sobre a sua foto que diz ter “carinho muito especial”.

Anúncios