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Nove estados norte-americanos registraram ontem rajadas de vento com força de furacão, ou seja, acima de 75 milhas por hora ou 120,7 km/h. Consequência de um profundo ciclone que se formou sobre o Norte dos Estados Unidos, no meio da América do Norte, e que nas palavras do Serviço Nacional de Meteorologia do país provocou um dia “selvagem” de caos meteorológico e “jamais visto antes no meio de dezembro”.

O ciclone gerou violenta corrente de jato em baixos níveis da atmosfera com recordes de força em sondagens de várias estações. O vento a 1.500 metros de altitude chegou a velocidades de 100 nós ou 185 km/h, algo absurdamente raro neste nível da atmosfera e velocidade de vento que costuma ser vista em correntes de jato em altos níveis, acima de 10 mil metros de altitude.

O sistema deu origem ainda a uma linha de instabilidade com tempestades generalizadas de vento destrutivo com extensão de centenas de quilômetros em fenômeno conhecido como derecho.

Pela influência do jato em baixos níveis, as tempestades se moviam a velocidades impressionantes com células de temporal se deslocando a mais de 150 km/h, o que meteorologistas dos Estados Unidos com décadas de experiência dizem jamais ter visto antes.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempestades (SPC) da NOAA, a quarta-feira trouxe um recorde de maior número de rajadas de vento de tempestade com força de furacão (75 milhas por hora) em um dia com 55 observações na avaliação preliminar. O número é o maior desde 2004. O recorde anterior era de 10 de agosto de 2020 com 53 observações.

Houve relatos ainda de tornados, especialmente no estado de Iowa. Para se ter ideia, o número de alertas de tornados ontem em Iowa foi maior que a soma de todos até então no ano.

Uma imagem impressionante era de células tornádicas avançando por cidades com neve ainda no chão do último episódio de frio enquanto as sirenes de alerta tocavam.

A ventania associada ao ciclone no meio da América do Norte gerou uma enorme tempestade de poeira no Centro do país. O céu ficou laranja e a visibilidade restrita com altos índices de má qualidade do ar.

Um dos estados mais atingidos foi o do Kansas. As cenas foram comparadas aos dos eventos do Super Bowl da década de 30, quando a degradação do solo e anos de seca levaram a gigantescas tempestades de poeira na região.

O jato de baixos níveis ainda fez a temperatura disparar com o ingresso de ar muito quente a partir do Golfo do México. Em algumas cidades, a temperatura atingiu máximas 20ºC acima do que é normal para esta época do ano.

As cidades de Des Moines, Madison, Kansas City e Omaha, dentre outras, tiveram as maiores máximas de dezembro de suas séries históricas, algumas começando no século 19.

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