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Projeções meteorológicas divulgadas hoje reforçam a preocupação quanto ao risco de apagão no Brasil nos próximos meses em razão da grave crise energética que assola o país, descrita como a maior em 91 anos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), pela chuva abaixo da média.

“O governo não deve decretar racionamento no curto prazo, mas há chance real e bastante grande” de blecautes nos próximos meses, disse hoje à TC Rádio o ex-número 2 do Ministério de Minas e Energia. Luiz Eduardo Barata, que foi secretário-executivo do Ministério, participou de um painel sobre a crise energética mediado pelo jornalista Luciano Costa, especializado em energia.


Na mesma hora em que o alerta sobre o alto risco de blecautes era soado, meteorologistas dos centros de Meteorologia de diversos países do Cone Sul da América se reuniam para traçar os cenários de chuva e temperatura para os próximos meses na região.

Os meteorologistas dos seis países que integram o Centro Regional do Clima para o Sul da América (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) debateram como deve se comportar o trimestre de setembro a novembro.

A projeção de chuva mostrada no evento do CRC-SAS para o Brasil foi muito ruim diante da crise energética. Grande parte do Centro-Sul do país teria precipitações perto ou abaixo da média.

Apesar de uma tendência de aumento da chuva com possibilidade de precipitações acima da média em Minas Gerais, onde está Furnas, a maior parte do Sul do Brasil e da bacia do Rio Paraná (que responde por mais de metade da geração hidrelétrica do Brasil) ficaria com a chuva abaixo da média.


Os mapas mostraram ainda a tendência de temperatura para o trimestre que igualmente foi muito ruim para o cenário energético. O indicativo é de temperatura muito acima da média no período no Centro do Brasil e na maior parte do país com grandes anomalias positivas em São Paulo que é o estado que mais consome energia no país.

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Temperatura acima da média significa mais dias de calor e muitos de calor intenso, o que gera um aumento da demanda de energia (carga). Ou seja, se tem um cenário de chuva abaixo da média que desfavorece a geração e um de temperatura acima da média que aumenta a demanda, o que agrava muito o risco de apagão nos próximos meses.

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