Olá a todos, como vocês puderam ler mais cedo aqui na MetSul, o El Niño de 2026-2027 se tornou o mais intenso da história moderna com força jamais vista nos últimos 150 anos, conforme dados da agência de clima dos Estados Unidos analisados pela MetSul Meteorologia.

Enchente no El Niño de 2024

Enchente de 2024 no El Niño de 2023-2024 provocou uma catástrofe no Rio Grande do Sul | RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

De acordo com dados publicados no começo desta segunda (28) pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a anomalia de temperatura da superfície do mar pelo tradicional índice ONI (Índice Oceânico Niño) é de +3,1ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global.

O valor é recorde e jamais observado neste índice nos tempos modernos, superando o recorde anterior de +3,0ºC, durante o episódio do Super El Niño de 2015-2016. A marca histórica não surpreende, uma vez que por meses se alertava que este evento acabaria sendo extremo e com potencial de se transformais no mais intenso em séculos.

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Antes, o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño atinha sido registrado no evento de Super El Niño 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015, seguido por 2,6°C no Super El Niño de 1982-1983, na semana de 29 de dezembro de 1982.

Com a informação de que este evento é recorde, naturalmente as pessoas perguntam se haverá uma enchente recorde, como a de 2024? Aliás, este é um questionamento que temos recebido reiteradamente nas ruas e nas redes sociais.

Então, como temos destacado, nenhum El Niño é igual ao outro. Intensidade do evento não é diretamente proporcional aos seus efeitos numa determinada cidade, região ou estado. A relação entre intensidade do evento e suas consequências, desta forma, não é linear.

Em linguagem direta, o fato deste El Niño ser o mais intenso até hoje na era observacional não necessariamente significa que o Sul do Brasil terá as maiores enchentes da história nos próximos meses.

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Eventos muito fortes na história recente, como 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, foram responsáveis por grandes enchentes no Sul do Brasil, mas nada comparado ao que se viu em 2024, mas o El Niño de 2023-2024 foi menos intenso que os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-16;

Em 1982-1983, Santa Catarina sofreu mais com a chuva e houve um desastre no Vale do Itajaí. Em 1997-1998 (que teve características muito parecidas com o atual), particularmente o Oeste do Rio Grande do Sul foi mais afetado com grandes cheias do Uruguai e tempo muito severo. Em 2023-2024, o Rio Grande do Sul quase todo foi duramente afetado.

Além de cada evento se manifestar de forma distinta em seus efeitos, em 2024 atuavam outros vários fatores concomitantes ao El Niño e que foram responsáveis por criar o cenário climático que levou à catástrofe, uma “tempestade perfeita” de fatores, e que não necessariamente podem se reunir novamente. Assim, um El Niño recorde agrava o risco de uma repetição de 2024, mas não necessariamente significa, pela intensidade, que haverá uma repetição do desastre de dois anos atrás.