A chuva passa de 100 mm em várias cidades do Rio Grande do Sul e se aproxima de 200 mm no Centro do estado, o que agrava muito o risco de cheias de rios e enchentes, de acordo com a análise da MetSul Meteorologia.

PREFEITURA DE VALE REAL
Levantamento da chuva registrada até agora no estado indicam que os maiores volumes se deram em parte do Oeste, no Centro, parte do Alto Jacuí e do Sul do Planalto Médio e em parte da Serra Gaúcha com os acumulados de precipitação mais expressivos na região central do Rio Grande do Sul.
Os volumes de chuva entre o final do sábado (26), quando começou a chover no estado, e o fim da manhã desta segunda-feira (28), somam 194 mm em Santa Maria, 164 mm em Espumoso, 146 mm em Livramento, 145 mm em São Gabriel, 140 mm em Arvorezinha, 139 mm em Boqueirão do Leão, 138 mm em Cacequi, 132 mm em São João do Polêsine e Ilópolis e 130 mm em Rosário do Sul.
Choveu no mesmo período 129 mm em Candelária, 128 mm em Silveira Martins e Ivorá, 127 mm em Formigueiro, 123 mm em Marques de Souza, Venâncio Aires, Anta Gorda e Sinimbu, 1189 mm em Fontoura Xavier, 116 mm em Cruz Alta, 111 mm em Travesseiro, e 110 mm em Nova Bréscia.
Os acumulados até o final da manhã desta segunda totalizaram ainda 109 mm em Agudo, Doutor Ricardo, Nova Palma, Restinga Seca e Soledade, 106 mm em Colorado e Putinga, 105 mm em Arroio do Tigre e Faxinal do Soturno, 104 mm em Antônio Prado, 103 mm em São José do Herval e Barros Cassal, 102 mm em Tupanciretã e 101 mm em Cotiporã e Sobradinho.
Leia tambémMeteorologista Estael Sias: El Niño recorde significa enchente recorde?
A chuva volumosa foi consequência até agora de uma frente quente que começou a se formar entre o Oeste e o Centro do estado no final do sábado com temporais intensos de granizo e que se organizou sobre o território gaúcho ao longo do domingo, seguindo atuando nesta segunda-feira.
Vem mais chuva
A MetSul Meteorologia alerta que o tempo segue instável com chuva por ainda ao menos 36 horas e que as precipitações tendem a ser localmente por vezes fortes e até torrenciais, o que vai elevar ainda mais os volumes de chuva no estado.
O risco de chuva forte persiste na tarde e noite desta segunda-feira e ainda ao longo da terça, quando uma área de baixa pressão, que na quarta vai dar origem a um ciclone na foz do Rio da Prata, deve intensificar a instabilidade no Rio Grande do Sul.

METSUL
O mapa acima mostra a projeção de chuva acumulada em 72 horas do modelo Icon, do centro meteorológico alemão em que se observa como a chuva tende a ser volumosa ainda até o final do episódio de instabilidade.
A quase totalidade das projeções dos modelos segue indicando precipitação volumosa numa faixa que vai do Oeste do estado, passa por parte da Campanha, cruza o Centro gaúcho e vai até os vales e a Serra. Alguns estendem esta faixa de chuva volumosa para a região de Porto Alegre, área metropolitana e o Litoral Norte gaúcho, também com acumulados muito altos. Nesta faixa do território gaúcho, onde deve se dar a chuva excessiva, vários municípios podem ter volumes de 100 mm a 200 mm até o final da terça-feira e o começo da quarta.
Haverá enchentes e deslizamentos
A MetSul Meteorologia adverte que a chuva excessiva a extrema nos próximos dias deve trazer problemas e transtornos no Rio Grande do Sul e no Sul e Leste de Santa Catarina. Estatísticas históricas do Brasil e do exterior mostram que o excesso de chuva causa mais vítimas fatais que vento forte ou tempestades, assim chuva extrema é situação de elevado perigo. Na onda de tempestades do último dia 21, que deixou seis vítimas fatais, quatro mortes foram resultado da chuva excessiva na Serra Gaúcha.
Enfatizamos que a chuva em alguns momentos deve ser forte a torrencial com acumulados muito altos em curto período (50 mm a 100 mm em poucas horas), o que pode trazer alagamentos e inundações repentinas tanto em áreas urbanas como em rurais.
Leia tambémEl Niño se torna o mais intenso da história moderna
Será muito alto o risco de deslizamentos de terra em áreas de encostas de morros. Devem ocorrer ainda quedas de barreiras que podem gerar bloqueios parciais ou totais de rodovias estaduais e federais. Algumas estradas, particularmente municipais e rurais, devem se tornar intransitáveis com prováveis trechos e pontilhões cobertos pela água. Com a perspectiva de forte correnteza, trechos alagados devem se terminantemente evitados sob perigo de acidentes fatais.
Vários rios podem ter cheias com este novo episódio de chuva volumosa e haverá novas enchentes no estado. As bacias que mais preocupam são as que cruzam ou possuem nascentes no Oeste, Centro e o Nordeste do estado. Isso inclui os rios Ibirapuitã, Santa Maria, Vacacaí, Ibicuí, Jaguari, Pardo, Pardinho, Jacuí, Taquari, Caí, Sinos, Paranhana e Gravataí, dentre outros. Como vários destes rios desembocam no delta do Jacuí, em Porto Alegre, o Guaíba tende a ter nova cheia.
Nos próximos dias, com dados de chuva observada, será possível identificar quais rios são de maior risco de cheia e a MetSul Meteorologia emitirá os alertas correspondentes para cada bacia.
Tenha acesso aos nossos mapas de chuva a qualquer hora
Todos os mapas de chuva deste boletim e de vários outros modelos, os principais em operação na Meteorologia mundial, podem ser consultados pelo nosso assinante (assine aqui) na nossa seção de mapas a qualquer hora. A plataforma oferece mapas de chuva, geada, temperatura, risco de granizo, vento, umidade, pressão atmosférica, neve, umidade no solo e risco de incêndio e raios, dentre outras variáveis, com atualizações duas a quatro vezes ao dia, de acordo com cada simulação. Na seção de mapas, é possível consultar ainda os nossos modelos WRF de altíssima resolução da MetSul.