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Inverno de 2021 terá a tradicional estação seca no Brasil Central, mas que pode ser mais curta neste ano pela previsão da MetSul | Marcello Casal Júnior/Agência Brasil/EBC

O inverno que começou nesta segunda-feira à 0h32 não terá a influência no Brasil de nenhum fenômeno climático de grande escala com o Oceano Pacífico em estado de neutralidade. Segundo a MetSul Meteorologia, a estação transcorrerá sem El Niño ou La Niña em 2021, mas em muitas áreas do país o inverno não terá suas condições típicas.

”Neutralidade climática frequentemente é confundida com normalidade no clima, sem os extremos gerados por El Niño ou La Niña, mas mesmo com o Pacífico em estado neutro ocorrem extremos de um fenômeno ou outro”, observa a meteorologista Estael Sias.


O que mais preocupa no clima durante a nova estação é a perspectiva de pouca chuva nas principais bacias do Centro-Sul do Brasil e que respondem por grande parte da geração hidrelétrica do país. A tendência é de chuva abaixo da média na maioria das áreas do Sul do Brasil e da Região Sudeste, além de regiões mais ao Sul do Centro-Oeste.

Com isso, rios que são fundamentais nos submercados Sul e Sudeste de energia do sistema integrado nacional de energia tendem a receber precipitação abaixo da média histórica neste inverno. Como áreas centrais do país têm no inverno a sua estação seca, os déficits de chuva devem ser maiores principalmente em estados que têm no inverno um dos seus períodos mais chuvosos do ano, como o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina.

Projeção de anomalia de chuva para o trimestre julho a setembro na América do Sul | IRI/University of Columbia

Por outro lado, áreas que no inverno do Hemisfério Sul costumam ter redução de chuva podem ter mais precipitação do que o habitual neste ano. São os casos da Região Norte e pontos do Centro-Oeste, particularmente mais ao Norte da região.

Um padrão de tempo mais instável na região amazônica e em áreas mais ao Norte do Centro-Oeste, em tese, poderia levar a um quadro menos grave de queimadas que os anos críticos de 2019 e 2020. Parte da estação, porém, será muito seca e com o déficit de chuva dos últimos meses o risco de fogo estará alto a crítico. 

Já quanto à temperatura, a tendência é de um inverno mais quente do que o normal na maior parte do território brasileiro. “Chama a atenção nas projeções de mais uma de uma dezena de modelos de clima de diversos centros mundiais o indicativo de temperatura acima a muito acima da média no inverno deste ano no Brasil Central”, explica Estael Sias. “Estados como Mato Grosso, Goiás, Tocantins e o Distrito Federal podem terminar a estação com temperatura acima a muito acima do normal”, detalha a meteorologista da MetSul.

O Sul, como esperado, será a região mais fria do país e que pode ter temperatura perto ou abaixo da média histórica em diversas áreas, sobretudo do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O Sul do Brasil não terá um inverno rigoroso, definido por frio intenso e constante, e os episódios de frio mais forte a extremo tendem a ser pontuais.


Projeção de anomalia de chuva para o trimestre julho a setembro na América do Sul | IRI/University of Columbia

”As condições estão postas para alguns eventos de frio de grande intensidade na estação, mas de forma episódica, mas que trarão frio intenso a extremo para o Sul do Brasil com acentuado resfriamento também em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, chegando até o Norte do Brasil pelo fenômeno da friagem”, enfatiza Estael Sias.

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Com a tendência de o Oceano Pacífico se resfriar no segundo semestre, o que pode levar a um novo evento de La Niña mais tarde neste ano, episódios de frio tardio com geada são um risco em 2021 no final do inverno e no começo da primavera no Sul do país com impactos para a agricultura.

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