Uma massa de ar frio de trajetória continental vai derrubar a temperatura no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil nesta semana. Será a incursão de ar frio mais forte no Brasil Central desde a onda polar da terceira semana de maio, mas sequer chegará perto de ter a intensidade do evento de maio que foi responsável pelas menores mínimas no mês desde 1977 em cidades como Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. No evento, a capital federal chegou a ter geada.

Assim como ocorreu na incursão de ar frio de maio, um ciclone na costa do Sul do Brasil será o responsável por impulsionar o ar frio pelo interior do continente até alcançar estados do Centro-Oeste e da Região Sudeste. Este ciclone vai provocar muita chuva no Leste do Sul do país e ainda gerará vento forte a intenso entre os litorais de Santa Catarina e do Rio de Janeiro, além de mar grosso com ondas muito altas e ressaca na costa.

O avanço da massa de ar frio será precedido por chuva em muitas cidades do Centro-Oeste e do Sudeste do território brasileiro que não registram precipitação mensurável desde os meses de maio ou junho, conforme a localidade. Será o caso, por exemplo, do Triângulo Mineiro e do Norte do estado de São Paulo. Os volumes, em geral, serão baixos, mas será uma trégua do longo período sem chuva e com baixa umidade.

Projeção de chuva do modelo meteorológico alemão Icon para cinco dias indica precipitação em parte de Goiás, Minas Gerais e Goiás, e chuva ampla em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro com mais de 50 mm em pontos do território paulista | METSUL

No Mato Grosso do Sul, a chuva atinge muitas áreas do estado e a capital Campo Grande nesta segunda, seguindo ainda em parte da terça-feira. Cuiabá e outras áreas do Mato Grosso podem ter pancadas entre esta segunda e a terça. Os modelos não mais indicam chance de chuva em Brasília, mas seguem apontando para o Sul de Goiás. No Triângulo Mineiro, depois de um início de semana muito quente, a chuva chega no final da terça e/ou na quarta com queda acentuada da temperatura. A chuva atingirá ainda grande parte do estado de São Paulo.

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Frio no Centro-Oeste

A chuva já causa declínio da temperatura em muitas áreas do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul entre esta segunda e a terça-feira, mas queda maior da temperatura é esperada de terça para quarta com a chegada da massa de ar frio. Por isso, no momento inicial, a queda maior é das temperaturas máximas. Na quarta e na quinta, o ar frio será percebido nas mínimas com as menores marcas na madrugada de quinta, quando pode fazer até 5ºC no Mato Grosso do Sul, 7ºC no Mato Grosso e 5ºC a 6ºC no Sul de Goiás. Refresca também em Brasília e no Distrito Federal depois de um começo de semana muito quente.

Minas Gerais

O ar frio alcança o estado de Minas Gerais na quarta-feira, mas sua atuação será muito breve. Após uma segunda-feira e terça de calor mais intenso que o normal para esta época do ano, a temperatura tem forte declínio no Triângulo Mineiro na quarta-feira. A quinta pode amanhecer com 10ºC em Uberlândia, mas já à tarde aquece e o calor estará de volta na sexta. Em Belo Horizonte, as mínimas declinam a partir da quinta-feira com noites frias na segunda metade da semana depois de calor até quarta. Pode fazer até 10ºC a 12ºC na Grande BH. Esfria também no Sul mineiro, mas nada que fuja ao normal para esta época do ano.

São Paulo

A temperatura vai declinar em todo o estado de São Paulo, primeiramente com a chuva e após com o ingresso da massa de ar frio. Por isso, com mais nuvens e instabilidade, as máximas vão declinar acentuadamente no estado paulista nesta primeira metade da semana. As madrugadas mais frias devem ser as de sexta e sábado, com marcas de um dígito ao amanhecer em grande número de municípios paulistas. Na cidade de São Paulo, a persistência da nebulosidade com chance de precipitação impede queda maior da temperatura à noite na quarta e na quinta com marcas de 12ºC. Quando o tempo abrir no final da semana, ar mais quente já estará retornando, logo sem favorecer mínimas muito baixas.

Rio de Janeiro

Uma sequência de dias com abundante nebulosidade e chuva ou garoa frequentes entre terça e sexta-feira vai manter a temperatura mais baixa na cidade do Rio de Janeiro e outras cidades do estado. Na Serra fluminense, a sensação será de frio. Justamente, a instabilidade impedirá mínimas menores em muitas localidades ao passo que proporciona máximas mais baixas. O vento será fator que gerará sensação de frio, especialmente no final da quarta e durante a quinta-feira.

Sul do Brasil

O Sul do Brasil já começa a semana sob influência de ar mais frio que, com a nebulosidade e o tempo instável, provoca tardes de temperatura mais baixa e abaixo do que é normal para esta época do ano. As mínimas, porém, não são muito baixas neste início de semana.

Com a baixa pressão se aprofundando entre terça e quarta, um bolsão de ar mais frio vai avançar pelo Norte da Argentina e o Paraguai à margem do Rio Grande do Sul. Avançará para o Mato Grosso do Sul, o Paraná e São Paulo, contornando a circulação ciclônica sobre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Por isso, não deve ser esperado intenso resfriamento nos estados gaúcho e catarinense. O que haverá e será mais sentido será o frio durante a tarde, uma vez que as tardes de terça e quarta, com abundante nebulosidade e chuva em diversas cidades, será fria com máximas baixas. Em alguns municípios, sobretudo de Serra, as máximas devem ficar abaixo dos 10ºC na quarta. No Oeste, onde a nebulosidade será menor, as mínimas declinam mais na quarta e na quinta.

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Geada

Uma vez que não se trata de uma incursão de ar frio de grande intensidade, não se espera um episódio de geada generalizada. Poucos locais devem ter o registro do fenômeno e concentrados mais no Sul do Brasil apenas quando o tempo abrir e firmar entre quinta e sexta-feira. Logo, não deve ser esperada uma repetição da geada ocorrida em maio que atingiu grande parte do Centro-Sul do Brasil.

Os mapas acima, disponíveis ao assinante na seção de mapas com duas atualizações diárias, mostram a probabilidade de geada estimada pelo modelo meteorológico canadense para quinta e sexta, uma vez que na quarta as condições não serão favoráveis ao fenômeno, seja por chuva ou nebulosidade.

Modelos numéricos na última semana chegaram a indicar a possibilidade de neve nas áreas mais altas do Sul do Brasil, mas há vários dias as mesmas simulações não apontam tal possibilidade. Embora ciclone na costa, chuva e ar frio sejam a combinação ideal para a neve, os dados indicam que a atmosfera não estará suficientemente fria para o fenômeno com temperatura no nível de 850 hPa (1.500 metros de altitude) de 3ºC a 4ºC positivos, assim 4ºC a 5ºC acima do valor mínimo de referência para a ocorrência de neve.