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Inconformada com a reação do mundo às mudanças climáticas, ativista sueca participa hoje de debate no Senado brasileiro | Cristina Quicler/AFP/MetSul Meteorologia

A ativista sueca Greta Thunberg será a principal atração hoje no Senado Federal. Principal voz entre os jovens do mundo sobre as mudanças climáticas e figura que atrai legiões de fãs e muitos críticos, a jovem sueca que se transformou em celebridade mundial pelo seu ativismo climático participará virtualmente de uma sessão do Senado brasileiro às 9h de hoje sobre o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no dia último dia 9 de agosto.

Os proponentes do debate afirmam que o objetivo é aumentar a consciência da população sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo. Participam também do encontro o químico Sir David King, líder do Conselho Consultivo de Crise Climática e ex-assessor científico do governo do Reino Unido; o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo; o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, do grupo Governadores pelo Clima; a ativista ambiental indígena Samela Sateré Mawé; e Fiona Clouder, embaixadora da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (a COP-26, que começa em 31 de outubro em Glasgow, na Escócia).


“A sessão temática no Senado Federal fornecerá contribuições, alertas e projeções dos cenários contidos no relatório e sobre a necessidade de que políticas públicas e legislações estejam a favor da mitigação dos danos ao meio ambiente. Precisamos agir agora”, explicou o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, senador Jaques Wagner.

“Vamos ouvir o que importantes nomes têm a nos falar sobre as mudanças climáticas. Greta, por exemplo, tem repetido constantemente que aqueles que não levam a crise climática a sério e não a tratam como uma crise, infelizmente, são uma parte do problema”, afirmou.

O que diz o relatório do IPCC

O planeta está aquecendo tão rapidamente que os cientistas agora dizem que cruzaremos um limiar crucial de aumento da temperatura planetária já em 2030, uma década mais cedo do que se pensava anteriormente. É um dos pontos centrais do último relatório do IPCC que foi descrito como o “alerta final à humanidade”. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera eram maiores em 2019 do que em qualquer momento em pelo menos dois milhões de anos, e os últimos 50 anos tiveram um aumento da temperatura na Terra sem precedentes em pelo menos dois mil anos.

Os eventos climáticos e meteorológicos extremos estão se tornando mais comuns e severos, e o aumento do nível do mar já começa a inundar algumas áreas costeiras com regularidade. O tempo para cumprir as metas do Acordo Climático de Paris e evitar os piores cenários futuros está cada vez mais escasso.

Escrito por mais de 230 cientistas renomados de países ao redor do mundo, os alertas fazem parte do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC (IPCC AR6), o primeiro deste tipo desde 2013. É o relatório climático mais significativo publicado em anos pela comunidade científica internacional. Trata-se da síntese de mais de 14.000 citações de pesquisas.

É uma verdadeira enciclopédia do clima, um documento com riqueza de detalhes e profundidade como jamais se viu na ciência meteorológica, um resumo do mais recente consenso científico sobre as mudanças climáticas e o que o futuro prenuncia, mediante modelos climáticos dos mais sofisticados e do conhecimento das condições passadas.

O período de 20 anos a partir de agora até 2040 será o primeiro a atingir ou superar a meta do acordo de Paris de limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. Mesmo sob o cenário mais baixo de futuras emissões de gases de efeito estufa, o limite seria excedido por um breve período de tempo.

Apenas reduções rápidas, acentuadas e sustentadas das emissões de gases de efeito estufa, até valores líquidos zero e eventualmente líquidos negativos, poderiam evitar que as marcas de 1,5ºC ou 2°C de aquecimento fossem evitadas no longo prazo. O mundo já aqueceu 1,1°C em relação à média de 1850-1900.

Quem é Greta Thunberg

A menina sueca que se tornou um dos principais nomes do debate mundial sobre o clima nasceu em 2003 em Estocolmo. Seu ativismo teve início após convencer seus pais a adotar várias opções de estilo de vida para reduzir sua própria “pegada de carbono”.

Greta Thunberg, à época com 15 ano de idade, segura um cartaz com os dizeres “Greve nas escolas pelo clima” durante um protesto contra a mudança climática fora do parlamento sueco em 30 de novembro de 2018. | Hanna Fraanzen/TT News Agency/AFP/MetSul Meteorologia

Em agosto de 2018, Thunberg passou a se ausentar das aulas para protestar próxima ao parlamento sueco, exigindo mais ações para mitigar as mudanças climáticas por parte dos políticos do seu país. Portava apenas um cartaz dizendo “Skolstrejk för klimatet” (“Greve escolar pelo Clima”).


O gesto solitário logo ganharia companhia. Estudantes de outras comunidades se organizaram para protestos semelhantes ao de Greta Thunberg. Juntos, Thunberg e os milhares de estudantes que começaram a repetir o gesto fizeram manifestações pelo clima em diversos países, chamado de Fridays for Future ou Sextas para o Futuro.

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Thunberg, após conquistar fama mundial, discursou na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2018 e várias outras reuniões ao redor do planeta, desencadeando greves estudantis todas as semanas em algum lugar do mundo.

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