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Bombeiros do litoral combateram noite e dia incêndio florestal de grandes proporções na região de Mostardas | Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul/Divulgação

Um incêndio de grandes proporções se alastrou em uma floresta de pinus na localidade de Cacimbas, no interior de Mostardas, no litoral gaúcho. As primeiras chamas foram registradas no início da tarde de sábado e prosseguiram ontem, o que forçou extenso trabalho à equipe do Corpo de Bombeiros de Cidreira. Houve mobilização de bombeiros ainda de Balneário Pinhal, policiais civis, Brigada Militar e de brigadistas de empresas privadas. Não houve registro de feridos. As informações são do jornal Correio do Povo.

Segundo o comandante dos Bombeiros de Cidreira, sargento Alexandro Silveira, a visibilidade no quilômetro 205 da RST-101 chegou a ficar 40% prejudicada por conta de uma nuvem de fumaça que se formou no horizonte, mas a via não precisou ser bloqueada.


“As guarnições operaram a noite inteira no combate às chamas e foram rendidas por outras equipes apenas pela manhã de domingo. Além do trabalho com a água, os bombeiros ainda utilizaram equipamento pesado para abrir caminhos dentro da mata a fim de evitar que o fogo se propagasse para o restante da área”, explicou. Um helicóptero Esquilo da Polícia Civil também foi acionado para fazer o combate aéreo ao incêndio, buscando água de lagoas próximas.

Nenhuma família moradora de comunidades vizinhas precisou ser retirada da região. “A localidade de Povos, entre os quilômetros 205 e 210 da RST-101, foi monitorada pela Defesa Civil de Mostardas para ver se haveria algum impacto nas moradias, mas não foram necessárias remoções de pessoas.

Vento piorou a situação

Uma guarnição do Batalhão Ambiental da Brigada Militar está no local para fazer um levantamento de área para tentar detectar o que ocasionou o incêndio, que se iniciou em uma mata de eucaliptos, queimando em seguida uma área com pinus resinados. Os bombeiros de Cidreira já tinham atendido ocorrência semelhante na semana passada.

“Entre a quarta e a sexta-feira, o fogo se alastrou em uma mata de pinus na região. No sábado, a brigada de incêndio da empresa que trabalha com estas árvores realizou um novo chamado pois não conseguia conter as chamas por causa do vento”, relatou o sargento. “Ainda que as equipes tentem diuturnamente a contenção do incêndio, os ventos fortes e a floresta de pinus resinados são complicadores”, afirmou o comandante dos Bombeiros de Cidreira.

Incêndio é um alerta para o verão no Rio Grande do Sul e Uruguai

O Rio Grande do Sul registrou 55 focos de queimadas nos primeiros 14 dias deste mês, o que não foge ao padrão médio histórico do mês que tem média de 108 focos de calor, de acordo com dados do programa de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O grande risco, alerta a MetSul, é para os próximos meses, especialmente em plantações de pinus no território gaúcho e em áreas de eucaliptos no Sul e no Leste do Uruguai. Com um quadro de estiagem que vai se instalar e previsão de calor intenso com temperatura acima da média sob La Niña, o risco de fogo no verão de 2022 será muito mais alto que o normal no Rio Grande do Sul e no Uruguai, o que vai exigir muito dos bombeiros nos dois lados da fronteira.


No Uruguai, áreas do Leste do país são particularmente vulneráveis a grandes incêndios florestais durante verões muto secos. A região de Rocha, em especial nas proximidades de Punta del Diablo e do parque nacional de Santa Teresa, costuma sofrer com grandes ocorrências de fogo que exigem mobilização de bombeiros e de militares uruguaios. Como o verão tende a ser muitos seco e quente na região, cenas de incêndios em torno da Ruta 9 do Uruguai devem se repetir no começo de 2022.

O pior março de fogo no Rio Grande do Sul ocorreu em 2020, quando o estado gaúcho passava por uma estiagem. Foram 227 focos de calor contabilizados pelo Inpe, muito acima da média do mês de 79. Já o recorde de fevereiro ocorreu em 2004, também sob estiagem e que se agravou muito no final do verão daquele ano. O pior janeiro de fogo no território gaúcho se deu no ano de 2002, marcado por calor muito intenso.

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