O primeiro furacão do ano e possivelmente o mais tardio da história moderna no Atlântico se formou na madrugada desta quinta-feira (8) no Golfo do México, colocando fim a um período de 342 dias sem furacões no Atlântico.

Mapa do furacão Isaias

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O ciclone tropical de nome Isaias será o primeiro furacão a atingir diretamente os Estados Unidos em quase exatamente dois anos, desde que a tempestade Milton alcançou a costa do estado norte-americano da Flórida em 9 de outubro de 2024.

O sistema avança em direção à costa Norte do Golfo dos Estados Unidos e tem previsão de atingir a região entre a noite de sexta-feira (9) e a manhã de sábado (10), com impactos potencialmente severos do Mississippi à Flórida.

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Alertas de furacão, tempestade tropical e maré de tempestade estão em vigor para trechos da costa do Golfo, desde o Sudeste da Louisiana até o Noroeste da Flórida. A previsão indica que Isaias poderá alcançar intensidade próxima de um furacão categoria 2, embora haja chance de enfraquecimento significativo nas horas imediatamente anteriores à chegada ao continente.

Um dos principais fatores para a intensificação atual é a temperatura excepcionalmente elevada do oceano. As águas do Golfo ao longo da trajetória de Isaias estavam entre 30°C e 31°C, valores considerados recordes para esta época de outubro.

Além das águas muito quentes, Isaias encontra uma atmosfera bastante úmida, com umidade relativa entre 70% e 75% em níveis médios. Imagens de satélite e dados obtidos por aeronaves indicavam que o sistema estava se organizando rapidamente, com a formação de um núcleo compacto de ventos mais fortes.

Os modelos meteorológicos apresentam boa concordância sobre o cenário geral da trajetória, mas ainda divergem em relação ao ponto exato de chegada à costa e à intensidade. A tendência predominante aponta para uma curva gradual para Leste e posteriormente para Norte, levando o sistema em direção ao litoral central do Golfo.

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Entretanto, existe uma diferença importante entre os modelos tradicionais e os sistemas baseados em inteligência artificial. Modelos físicos, como os ensembles do modelo europeu, vêm indicando trajetória mais para Oeste e uma tempestade relativamente mais fraca. Já modelos de inteligência artificial, incluindo o DeepMind, do Google, projetam trajetória mais para Leste, com deslocamento mais rápido e maior intensidade.

A diferença é fundamental porque a posição e a velocidade do furacão determinarão quanto tempo ele permanecerá exposto às condições atmosféricas favoráveis e desfavoráveis. Mais para leste e com deslocamento mais rápido, Isaias tende a permanecer mais forte. Trajetória mais ocidental e lenta o colocaria sob maior influência de cisalhamento e de ar seco, favorecendo o enfraquecimento.

A previsão oficial do NHC indica que Isaias poderá atingir seu pico na sexta-feira pela manhã, com ventos próximos de 180 km/h, intensidade de categoria 2. Alguns modelos, entretanto, indicam potencial para que o sistema alcance categoria 3 antes de começar a perder força.