O primeiro furacão do ano já tem data para se formar em meio a uma temporada no Atlântico de baixíssimo número de ciclones tropicais por conta da influência do El Niño, que cria condições atmosféricas hostis à ocorrência do fenômeno na bacia.

Mapa do modelo do furacão

Modelos projetam furacão Isaias no Golfo do México | TROPICAL TIBIDTS

A Depressão Tropical Nove se formou na terça-feira (6) no Golfo do México e deve se transformar no primeiro furacão da temporada de 2026 no Atlântico nesta quinta-feira (8), de acordo com a previsão do Centro Nacional de Furacões (NHC), dos Estados Unidos.

O sistema apresenta rápida organização e tem previsão de atingir a costa Sul dos Estados Unidos entre a noite de sexta-feira (9) e a madrugada de sábado (10), com risco de chuva extrema, ventos fortes, inundação costeira e tempestades severas.

A previsão indica que o sistema deverá ganhar intensidade rapidamente sobre as águas muito quentes do Golfo do México, alcançando a categoria de tempestade tropical nesta quarta-feira (7) e pode se tornar furacão amanhã.

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Caso a intensificação prevista se confirme, o sistema receberá o nome de Isaias. A projeção indica que poderá atingir a categoria 2 da escala Saffir-Simpson, com ventos sustentados próximos de 160 km/h, antes de alcançar a costa Norte do Golfo.

O cenário, entretanto, ainda pode sofrer alterações devido à influência do cisalhamento do vento sobre a estrutura do ciclone. As águas do Golfo estão excepcionalmente quentes, com temperaturas em níveis recordes para o período.

O calor elevado da superfície do mar fornece energia adicional para a convecção profunda e favorece a organização da circulação. Ao mesmo tempo, bolsões de cisalhamento poderão limitar ou acelerar a intensificação dependendo da trajetória exata do sistema.

A previsão aponta que a Depressão Tropical Nove passará ao Norte da península mexicana de Yucatán na quinta-feira e, posteriormente, seguirá em direção ao litoral central do Golfo dos Estados Unidos. Louisiana, Mississippi, Alabama e o Noroeste da Flórida estão entre as áreas com maior potencial de impactos.

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O principal risco associado ao sistema, contudo, não será necessariamente o vento. A combinação de uma circulação tropical fortalecida, grande disponibilidade de umidade e áreas que já receberam chuva significativa poderá produzir volumes elevados e provocar alagamentos e inundações.

O solo saturado em algumas áreas poderá ampliar significativamente o risco hidrológico. Também haverá ameaça de ressaca, ondas elevadas e correntes de retorno nas praias do Golfo do México.

Outro risco importante será o de tempo severo. A circulação do sistema poderá favorecer a formação de tempestades, tornados e trombas-d’água, principalmente no setor Leste e Nordeste do ciclone.

Setembro terminou sem nenhum furacão no Atlântico, algo que não acontecia havia três décadas, apesar de o mês normalmente concentrar o pico climatológico da atividade de ciclones tropicais. Se Isaias alcançar a intensidade de furacão, será o primeiro furacão do Atlântico de 2026 e um dos primeiros a surgir tão tarde na temporada na era moderna.