Uma poderosa massa de ar de origem antártica provocou um dos episódios de frio mais intensos já observados na Patagônia argentina na história recente durante os últimos dias, estabelecendo marcas históricas em diversas localidades.

Imagem de satélite mostra extensa área da Patagônia coberta de neve | NASA
Dados divulgados pelo Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina mostram que a cidade turística de El Calafate registrou, em 22 de julho, temperatura mínima de 17,6°C abaixo de zero, novo recorde absoluto da série histórica da estação meteorológica local.
O frio intenso atingiu principalmente as províncias de Santa Cruz e Chubut, onde o SMN chegou a emitir alerta vermelho para temperaturas extremas. Levantamento do órgão meteorológico argentino mostra que vasta área do extremo Sul do país anotou marcas inferiores a -10°C, enquanto setores da Patagônia austral registraram valores próximos de -18°C.
Além do recorde histórico em El Calafate, a onda de frio trouxe uma sequência prolongada de dias com temperaturas excepcionalmente baixas. Segundo o SMN, El Calafate permaneceu por seis dias consecutivos sob critérios de onda de frio, entre 18 e 23 de julho, período em que a temperatura máxima mais elevada foi de apenas 1,4°C.
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A mínima extrema de -17,6°C foi suficiente para estabelecer um novo recorde absoluto para a cidade, conhecida mundialmente por ser a porta de entrada do Parque Nacional Los Glaciares.
Outras localidades do Sul argentino também enfrentaram condições severas. Gobernador Gregores anotou mínima de -17,0°C, Río Gallegos chegou a -15,4°C, Perito Moreno registrou -13,8°C, Paso de Indios teve -13,1°C, Santa Cruz marcou -10,4°C, San Julián caiu a -9,1°C, Puerto Deseado teve -8,0°C, Trelew registrou -7,2°C e Comodoro Rivadavia marcou -5,4°C.
Na quinta (23), o frio atingiu níveis extraordinários em Río Gallegos. Às 15h, horário local, os termômetros marcavam 9,7°C abaixo de zero, uma temperatura excepcional para o meio da tarde, quando normalmente ocorre o período mais quente do dia.
A quinta-feira foi um dia de frio extraordinário. Em Río Gallegos, a mínima foi de -15,4°C e a máxima de apenas -7,2°C. Em El Calafate, os termômetros variaram entre -10,6°C e -4,9°C. Já em Tapi Aike, também em Santa Cruz, foi registrada a menor temperatura do dia, com mínima de -24,7°C e máxima de apenas -3,3°C.
Em diversas localidades, a onda de frio persistiu entre quatro e seis dias consecutivos, enquanto cidades como El Calafate, Perito Moreno e Río Gallegos ainda permaneciam sob os critérios estabelecidos pelo Serviço Meteorológico Nacional para caracterização de uma onda de frio.
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O atual episódio de frio extremo na Patagônia ocorre em um contexto favorável à ocorrência de massas de ar muito intensas devido ao El Niño. Embora o fenômeno seja mais conhecido por aumentar a chuva no Sul do Brasil e no centro da Argentina, ele também costuma favorecer incursões de ar polar mais vigorosas sobre o Sul do continente.
Isso acontece porque o aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica, fortalecendo o fluxo de sistemas frontais e criando condições para que massas de ar de origem antártica avancem com maior frequência e intensidade sobre a Patagônia.
Estudos climatológicos mostram que, durante episódios de El Niño, especialmente os mais fortes, a Patagônia tende a registrar maior número de ondas de frio e eventos de temperatura extrema.
O contraste entre o ar muito frio vindo da Antártida e a circulação atmosférica modificada pelo aquecimento do Pacífico favorece quedas acentuadas de temperatura, como as observadas nos últimos dias. Embora o El Niño não seja a causa direta de cada onda de frio, o fenômeno aumenta a probabilidade de episódios gelados mais intensos na região mais ao Sul do continente.