A MetSul Meteorologia reforça o alerta que dois episódios de chuva neste fim de julho e no início de agosto, em um período de apenas dez dias, devem trazer acumulados de precipitação altos em várias regiões do Rio Grande do Sul, mantendo os rios altos e com elevado risco de novas cheias.

Foto mostra chuva e raios no Rio Grande do Sul

Dois períodos de forte instabilidade em pouco mais de uma semana vão trazer chuva volumosa, novas cheias de rios e ainda o risco de tempo severo isolado | FABIAN RIBEIRO LEAL

O primeiro episódio de instabilidade já se iniciou neste domingo com mistura de sol, nuvens e chuva isolada no estado. Embora não chova em todas as cidades durante este domingo e não se preveja precipitação forte na maioria dos municípios, isoladamente não se pode afastar chuva modera a forte com ocasionais trovoadas.

A chuva deste domingo não trará subida de rios, uma vez que os volumes previstos, em geral, devem ser baixos e sem potencial de causar impacto relevante nos níveis dos mananciais.

Ocorre que este domingo é apenas o começo deste primeiro período de instabilidade, que vai atuar no Rio Grande do Sul até o meio desta semana e que tende a ganhar força, de acordo com a nossa análise.

Destacamos que há previsão de chuva no Rio Grande do Sul para hoje (26), amanhã (27), terça (28) e quarta (29) com os maiores volumes previstos para terça e quarta-feira. Apesar de não chover o tempo todo e haver previsão de intervalos sem precipitação e em algumas áreas até com períodos de melhoria, alerta-se que entre esta segunda e a quarta a chuva por vezes pode ser localmente forte a intensa.

Nesta segunda-feira (27), o sol até aparece com nuvens em diferentes pontos do Rio Grande do Sul, embora com momentos de maior nebulosidade e ainda presença tanto de neblina como nevoeiro em vários pontos entre a madrugada e de manhã. No decorrer do dia, instabilidade avança de Oeste para Leste e traz chuva para a maior parte das cidades gaúchas, embora não todas, e há risco de chuva isoladamente forte.

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Na terça (28), maior cobertura de nuvens no Rio Grande do Sul e chove em todo o estado ao longo do dia. Alerta-se para o alto risco de precipitação localmente forte a intensa com elevados volumes em curto período, o que pode trazer alagamentos, inundações rápidas e subida de cursos d´água menores.

Já na quarta-feira (29), a atuação de uma área de baixa pressão associada a uma frente fria reforça a instabilidade. Chove em todas as regiões gaúchas e muitas cidades podem ter períodos de chuva moderada a forte com pancadas isoladamente torrenciais, que podem trazer altos volumes em curto intervalo, provocando alagamentos, inundações repentinas e a subida de cursos menores como córregos e arroios.

Na quinta (30) e na sexta (31), o sol aparece com nuvens no Rio Grande do Sul. Na sexta, vento Norte começa a se intensificar, precedendo a volta da chuva que até o fim do dia irá atingir pontos do estado, marcando o começo do segundo episódio de instabilidade que vai se intensificar no fim de semana com chuva mais generalizada, localmente forte a intensa e com altos volumes em diversas localidades.

Confira as projeções mais atuais de chuva

Persiste o consenso entre os modelos analisados pela MetSul Meteorologia de que haverá chuva volumosa no Rio Grande do Sul entre este fim de julho e o começo do mês de agosto, mas ainda há discrepâncias sobre onde deve chover.

Os mapas a seguir mostram as projeções de chuva para sete dias dos modelos do centro meteorológico alemão (Icon) e do serviço meteorológico do Reino Unido (Met Office), em que se observa como os acumulados de chuva tendem a ser altos a muito altos em vários pontos.

Mapa de chuva do modelo britânico

METSUL

Mapa de chuva do modelo alemão

METSUL

O cenário se torna ainda mais preocupante se considerada a tendência de dez dias, que capta a chuva indicada para o próximo fim de semana. O mapa abaixo mostra a tendência de chuva para dez dias do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

Mapa de chuva do modelo europeu

METSUL

Com base na mediana dos danos, o nosso entendimento é que o maior risco de chuva volumosa é para o Oeste, Centro e o Sul gaúcho, com acumulados em sete a dez dias de 100 mm a 200 mm e localmente até entre 200 mm e 300 mm, mas enfatizamos que há possibilidade de a chuva afetar com altos volumes também pontos da Metade Norte.

Elevado risco de novas cheias

Com os dados hoje disponíveis de chuva prevista e a condição atual das bacias do Rio Grande do Sul, a MetSul Meteorologia alerta que o cenário hidrológico é de alto risco para repiques de cheias e novas inundações no estado.

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Com o que se projeta de chuva para os últimos dias deste mês e ainda no início de agosto, rios que já estão altos devem seguir elevados e outros, principalmente no Oeste e em parte do Sul podem subir muito com possibilidade de cheias e inundações.

O nosso entendimento hoje é que os rios que mais exigem atenção são o Uruguai, Jacuí, Ibirapuitã, Vacaria, Santa Maria e Camaquã. A chuva volumosa vai coincidir com o pico de vazão ou o período imediatamente posterior por conta da chuva da última semana na bacia do Uruguai, afetando mais o rio entre Uruguaiana e Itaqui.

O Jacuí segue elevado em grande parte da sua extensão e com o risco de chuva volumosa ao longo da bacia não apenas continuará alto como deve subir novamente, sobretudo entre o Centro do estado e a parte final da bacia no delta. Com isso, o Guaíba vai seguir alto e com alto risco de voltar a subir e atingir cotas superiores aos 2,11 metros no Cais Central observados na sexta (24).

Alerta da possibilidade de temporais

Alertamos ainda que há risco de temporais no Rio Grande do Sul nos dois eventos de instabilidade sob ar mais quente que favorece convecção profunda, mas quanto ao segundo é prematuro fazer análise mais detalhada no momento por ser um episódio daqui a seis e sete dias.

O risco de temporais é menor no território gaúcho neste sábado e quaisquer ocorrências seriam por demais isoladas e em poucos locais, mas o risco de tempestades com queda de granizo e/ou vento forte aumenta entre esta segunda a quarta, sobretudo na terça e na quarta-feira. Serão ocorrências localizadas e que tendem a afetar principalmente o Centro e as Metades Oeste e Sul do estado, apesar do risco também na Metade Norte.

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