O Rio Grande do Sul amanhece nesta quarta-feira (22) sob a primeira enchente do El Niño com rios fora do leito nos vales e outras áreas do Centro e do Norte do estado após volumes excessivamente altos de chuva que atingiram até duas vezes a média histórica de precipitação de julho inteiro.

Foto de enchente no Vale do Caí

ANSELMO CUNHA/AFP/METSUL

A situação tem maior gravidade nos vales, onde os rios Caí e Taquari ultrapassaram as cotas de inundação durante a madrugada e o começo da manhã desta quarta-feira e com tendência ainda de elevação pelos volumes muito altos de precipitação observados na noite de ontem na Serra e nos Campos de Cima da Serra.

Às 8h desta quarta-feira, o Rio Taquari em Lajeado estava com 20,8 metros, acima da cota de inundação de 19 metros, e subia a quase 80 cm por hora. Em Encantado, régua média 13,9 metros, marca superior à cota de inundação de 12 metros e o rio se elevava a uma taxa de 66 cm por hora.

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A tendência é o Taquari subir ainda mais no Vale do Taquari, uma vez que o rio continua a se elevar em Muçum, onde às 8h desta quarta a taxa de elevação era de 72 cm por hora, indicando que tem ainda muita água descendo.

Na enchente de maio de 2024, a vazão do Rio das Antas na Usina Hidrelétrica 14 de Julho (localizada entre Bento Gonçalves e Cotiporã) superou a marca de 15.000 m³/s. No início da manhã de hoje estava em de 8.800 m³/s. Doze horas atrás, no começo da noite de ontem, era de 2.092 m³/s. A vazão segue aumentando, indicando grande volume de água ainda descendo da Serra e que agravará a enchente no Vale do Taquari.

Outro rio que está fora do leito no começo da manhã desta quarta-feira é o Caí. Dados das 8h indicavam o rio com 10,8 metros, acima da cota de inundação de 10 metros, em São Sebastião do Caí. A taxa de subida diminui, mas ainda é de 22 cm por hora. O rio de estabilizar mais tarde hoje, mas seguir muito alto na cidade.

O Caí, tradicionalmente, é o rio de resposta mais rápida às precipitações volumosas que ocorrem entre a Serra e os Campos de Cima da Serra, assim é normal que a cheia ocorra rapidamente a partir da chuva volumosa na parte alta da bacia.

Na sequência dos alagamentos em São Sebastião do Caí, a onda de vazão vai atingir o município de Montenegro entre quinta (23) e sexta-feira (24), avançando depois para a Grande Porto Alegre, onde pode causar alagamentos entre Nova Santa Rita e Canoas antes de desaguar no Guaíba.

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A enchente é consequência da chuva excessiva ocorrida na Serra e nos Campos de Cima da Serra. Choveu entre 100 mm e 200 mm nas bacias do Caí e Taquari até o final da terça com volumes até isoladamente acima de 200 mm. Choveu muito intensamente na Serra e nos Aparados na noite de ontem, aumentando ainda mais a vazão a partir das nascentes.

As águas do Rio Taquari desembocam no Jacuí pouco antes da Grande Porto Alegre e do Caí diretamente no delta do Jacuí e no Guaíba, assim a vazão de cheia dos dois rios vai contribuir para elevar acentuadamente o Guaíba na capital nas próximas 48h a 72h, embora o nível em Porto Alegre ainda esteja baixo. A MetSul Meteorologia emitiu alerta de cheia do Guaíba, alertando que as ilhas serão afetadas. Não haverá transbordamento no Centro Histórico.

Esta é a primeira enchente do El Niño de 2026-2027, condição que a MetSul desde o fim do ano passado alertava que ocorreria a partir do inverno deste ano. Muitas enchentes ainda devem ser esperadas nos próximos meses e com maior gravidade, projetando-se o período mais crítico em 2026 entre setembro e dezembro. No ano que vem, em pleno verão podem ocorrer enchentes no estado com o pior previsto para o outono.