Olá amigos e amigas, estamos enfrentando o primeiro episódio de enchente do evento de El Niño de 2026-2027, embora tenha ocorrido pequena cheia do Rio Uruguai já em junho, e infelizmente o que estamos testemunhando nesta quarta-feira no Rio Grande do Sul com rios fora do leito e pessoas deixando suas casas é apenas o começo de um período de altíssimo risco climático.

Foto mostra enchente no Rio Grande do Sul

ANSELMO CUNHA/AFP/METSUL

Vamos ser claros. Não estamos sob um El Niño qualquer, mas um Super El Niño que pode vir a ser o mais intenso dos tempos modernos, desde o começo das medições no Oceano Pacífico ainda em 1850. Ou seja, estamos diante possivelmente do El Niño mais intenso desde o Brasil era ainda império.

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A força do El Niño não é diretamente proporcional aos impactos que provocará em um ponto ou outro do planeta, mas a sua enorme intensidade agrava demais o risco de que ocorram eventos extremos. Por isso, temos há meses dito que por ser mais forte do que o El Niño de 2023-2024, não necessariamente haverá enchente no Rio Grande do Sul igual ou maior de 2024, embora o El Niño poderoso aumente muito o risco de uma condição no mínimo parecida.

A enchente de agora é apenas a primeira de muitas. A tendência é que o El Niño durante os próximos meses se fortaleça ainda mais. Neste momento, pelo critério tradicional de monitoramento chamado de ONI, a principal região do Pacífico Equatorial apresenta anomalias de temperatura da superfície do mar de +2ºC (patamar de Super El Niño).

Ocorre que os principais modelos de clima indicam que o El Niño deve ganhar ainda muita força ao longo deste segundo semestre, podendo, pelo índice ONI, atingir mesmo anomalias de 3,5ºC a 4ºC acima da média no Pacífico Equatorial Centro-Leste, com alguns modelos indicando até mais de 4ºC. Isso é muito acima do pico de qualquer El Niño nos últimos 150 anos.

Os mesmos dados que são analisados diariamente por nós na MetSul apontam que cenário muito pior que o de agora deve ser esperado nos próximos meses. No caso deste ano, o período mais crítico será entre setembro e dezembro, quatro meses com risco alto a altíssimo de numerosas ondas de tempestades e sucessivos episódios de chuva excessiva a extrema com muitas enchentes e algumas de grandes dimensões.

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O que tem nos chamado atenção é que as projeções têm apontado que durante o verão poderia persistir o cenário de chuva excessiva. Com isso, poderiam ocorrer enchentes mesmo durante o verão, como se viu no El Niño de 2009/2010. Não apenas isso, a frequência de temporais de verão, da tarde para a noite, pelo calor, pode ser muito alta de dezembro a março com alagamentos, inundações repentinas e vendavais.

O pico do El Niño tradicionalmente ocorre no fim do ano e deve ser o caso deste, mas existe um delay na atmosfera de 3 a 4 meses em relação às condições oceânicas. Por isso, as duas maiores enchentes da história gaúcha (1941 e 2024) se deram no outono seguinte ao começo do El Niño, assim que abril e maio do ano que vem são de alto risco.