A MetSul Meteorologia reiteradamente destaca há meses que nenhum episódio do El Niño é igual ao outro, mas na Meteorologia sempre se trabalha com analogia de eventos passados e existem grandes semelhanças apontadas por especialistas entre o fenômeno deste ano e o que ocorreu em 1997, ambos episódios de Super El Niño.

Enchente em Uruguaiana (foto) em outubro de 1997 | ROBERTO SANTOS/CORREIO DO POVO
Por isso, busca-se como referência o que ocorreu em outubro no ano de 1997, mês que foi marcado por uma série de eventos extremos e desastres no Sul do Brasil por conta de chuva excessiva e tempo severo, favorecidos pelo El Niño. Não haverá uma repetição exata do que ocorreu em 1997, mas o padrão observado naquele ano de muita chuva e alta frequência de temporais tende a se repetir na Região Sul.
O evento de El Niño de 1997–1998 foi um dos mais intensos já observados e começou a produzir efeitos particularmente severos no Sul do Brasil a partir do segundo semestre daquele ano. Outubro, em 1997, foi um dos meses mais críticos do Super El Niño de 1997-1998 com enchentes grandes e tempestades destrutivas.
No Rio Grande do Sul, a situação foi particularmente grave. Entre os dias 7 e 16 de outubro, sequência de episódios de chuva provocou elevados acumulados em diferentes pontos da bacia do Rio Uruguai. Em Uruguaiana, no dia 13, foram registrados quase 180 mm de chuva em apenas 24 horas. Como as precipitações também ocorreram nas áreas de montante, no Noroeste e no Norte do estado, a água rapidamente se acumulou na bacia e provocou uma elevação extraordinária do rio Uruguai.
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Uma grande enchente atingiu municípios da Fronteira Oeste e obrigou milhares de pessoas a deixarem suas casas. Itaqui e Uruguaiana estiveram entre as localidades mais afetadas e decretaram calamidade pública ante a dimensão das inundações. Estudos posteriores sobre o episódio estimaram em aproximadamente 9 mil o número de pessoas desalojadas em consequência da cheia do rio Uruguai.
As graves consequências não ficaram restritas ao Rio Grande do Sul em outubro de 1997. Paraná e Santa Catarina também enfrentaram inundações com enchentes. Em Santa Catarina, 37 municípios foram afetados pelas enchentes, com milhares de pessoas desabrigadas. No Paraná, a elevação do rio Iguaçu provocou impactos importantes, inclusive na região de União da Vitória.
Modelos numéricos indicam que parte do cenário de 1997 deve se repetir em outubro neste ano. Se em 1997 a chuva excepcional no Oeste e no Noroeste gaúcho, neste ano os estados de Santa Catarina e do Paraná poderiam ser os mais atingidos por chuva extrema.
Os mapas a seguir mostram as projeções de anomalia (desvio da média) de chuva para este mês de outubro dos modelos de clima SEAS-5 europeu, britânico (UKMET), australiano (ACCESS-S2), norte-americano (CFS) e o blend de vários modelos gerados pelo modelo do Centro Meteorológico Europeu.
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METSUL

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Além da chuva excessiva a extrema, outro sinal de outubro de 1997 que deve se repetir é a ocorrência de muitos temporais. Assim como há 29 anos, outubro deve ter uma alta frequência de tempo severo no Sul do Brasil.
Em 1997, aquecimento e disponibilidade de umidade favoreceram tempestades fortes a severas de granizo, fortes rajadas de vento e intensa atividade elétrica. Em Porto Alegre, registros meteorológicos mostram diversos dias de trovoadas e chuva forte ao longo de outubro, evidenciando a frequência de episódios convectivos naquele mês.
No interior do Rio Grande do Sul, tempestades provocaram destelhamentos, queda de árvores e danos à infraestrutura. Em diferentes pontos da Região Sul foram relatados ventos destrutivo. Relatos da época mencionam episódios de vendavais, microexplosões e fenômenos com características tornádicas no interior do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em Itaqui, no Oeste gaúcho, em 28 de outubro de 1997 com um tornado em Itaqui. Com vento estimado em 250 km/h, o tornado causou danos severos e prejuízos em três mil imóveis. O fenômeno deixou 24 pessoas feridas.