O furacão Polo alcançou a categoria 5 e entrou para os registros históricos dos ciclones tropicais do Pacífico Leste após uma intensificação extraordinariamente rápida. O sistema passou de depressão tropical a furacão de categoria 5 em apenas 42 horas, no que os dados apresentados apontam como a evolução mais rápida desse tipo já registrada desde 1970 tanto no Atlântico quanto no Pacífico Leste.

Imagem de satélite do furacão Polo

CIRA/CSU/NOAA

A intensidade alcançada pelo sistema também impressiona. Polo chegou a apresentar ventos sustentados de aproximadamente 290 km/h. O valor coloca Polo entre os furacões mais intensos já observados no Pacífico Centro-Leste.

Além dos ventos extremos, a pressão atmosférica central caiu para aproximadamente 892 hPa. Pelo critério de menor pressão, Polo passou a ser apontado como o segundo furacão mais intenso já registrado no Pacífico Leste. Considerando a velocidade dos ventos, os dados apresentados colocam o sistema empatado na terceira posição entre os maiores valores já observados na bacia.

A evolução de Polo foi particularmente impressionante nas 24 horas anteriores ao pico de intensidade. No intervalo, os ventos sustentados aumentaram em aproximadamente 177 km/h, configurando a segunda intensificação mais rápida em 24 horas já registrada, de acordo com os dados apresentados.

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O comportamento explosivo do furacão ocorreu em um ambiente oceânico excepcionalmente favorável favorecido pelo El Niño. Polo avançava sobre águas superficiais próximas de 31°C, mas a característica mais importante estava abaixo da superfície. Uma onda de Kelvin associada ao forte episódio de El Niño havia deixado uma extensa camada de água muito quente no Pacífico, com temperaturas superiores a 26,5°C chegando a aproximadamente 73 metros de profundidade.

A estrutura oceânica ajuda a explicar a capacidade de Polo de continuar se fortalecendo rapidamente. Um ciclone tropical intenso normalmente provoca mistura das águas do oceano, podendo trazer água mais fria para a superfície e reduzir a energia disponível para a tempestade. No caso de Polo, entretanto, havia uma grande quantidade de calor armazenada em profundidade no mar, dificultando o resfriamento e mantendo elevado o conteúdo de calor oceânico disponível para aumentar a força do furacão.

A influência do El Niño aparece, portanto, não apenas na temperatura da superfície, mas também na distribuição do calor no oceano. As ondas de Kelvin oceânicas são importantes mecanismos de redistribuição de calor no Pacífico e podem contribuir para o aquecimento de grandes volumes de água. No cenário encontrado por Polo, essa condição forneceu um ambiente particularmente favorável à manutenção de uma convecção profunda e à rápida organização do núcleo do ciclone.

O furacão encontrou ainda outros ingredientes favoráveis. A atmosfera apresentava umidade elevada nos níveis médios e cisalhamento do vento relativamente baixo a moderado, outra influência do El Niño. Ao mesmo tempo, o conteúdo de calor oceânico permanecia alto. A combinação desses fatores permitiu que o núcleo de Polo se organizasse rapidamente e que as áreas de tempestades ao redor do centro se tornassem cada vez mais intensas.

A velocidade da transformação foi impressionante. Polo foi classificado como depressão tropical no domingo (20) à tarde, tornou-se tempestade tropical poucas horas depois e alcançou a categoria de furacão na segunda-feira (21). A partir daí, continuou se fortalecendo rapidamente até atingir a categoria 5.

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O Pacífico Leste já registrou outros casos de intensificação extremamente rápida. Entre os exemplos citados estão Patricia, em 2015, e Otis, em 2023. Otis passou de aproximadamente 113 km/h para 260 km/h em apenas 12 horas enquanto se aproximava da costa mexicana.

A trajetória de Polo permanece como um fator de preocupação. O furacão avançava lentamente ao largo da costa mexicana e deveria fazer uma curva para noroeste e oeste-noroeste. A velocidade de deslocamento prevista era de aproximadamente 10 km/h, mantendo o sistema relativamente próximo da costa durante um período prolongado.

Os ventos com força de furacão se estendiam por aproximadamente 55 quilômetros a partir do centro, enquanto os ventos de tempestade tropical alcançavam até 150 quilômetros. Áreas costeiras dos estados mexicanos de Guerrero e Michoacán estavam entre as regiões sob maior atenção. Dependendo da trajetória, poderiam ocorrer acumulados isolados de chuva de até aproximadamente 200 milímetros.

Os impactos potenciais também poderiam alcançar áreas mais distantes. A umidade transportada por Polo poderia se combinar com a umidade associada à circulação de monções e favorecer chuva forte sobre o Novo México, nos Estados Unidos.