O supertufão In-fa se intensificou ainda mais sobre o Oceano Pacífico Ocidental e alcançou ventos sustentados de aproximadamente 240 km/h, com rajadas ainda mais fortes, tornando-se equivalente a um furacão de categoria 4 na escala Saffir-Simpson. O sistema chamou a atenção dos meteorologistas pela estrutura extremamente organizada, com um olho amplo e bem definido e uma formação de nuvens quase perfeitamente simétrica.

Imagem de satélite do ciclonee tropical In-fa

Imagem de satélite do ciclonee tropical In-fa | CIRA/CSU

Imagens de satélite registradas durante a noite e as primeiras horas da manhã deste sábado (31) mostraram uma característica particularmente impressionante: In-fa apresentava um olho com aproximadamente 80 a 95 quilômetros de diâmetro, cercado por um anel espesso e praticamente contínuo de nuvens carregadas, onde se concentravam as tempestades mais intensas.

O padrão observado nas imagens de satélite do ciclone tropical In-fa é característico dos chamados tufões anulares, sistemas tropicais que apresentam uma estrutura circular bastante uniforme em torno do olho.

Outra particularidade era a relativa ausência de bandas externas de chuva, que normalmente se estendem para longe do centro de ciclones tropicais. No caso de In-fa, a concentração da convecção em torno do núcleo contribuía para a aparência organizada e simétrica observada nas imagens de satélite.

O sistema passou pelas Ilhas Marianas do Norte, no Pacífico Ocidental, tornando-se o quinto tufão a afetar o arquipélago em 2026. A passagem ocorreu apenas dez dias depois da atuação de um outro ciclone mostro, o supertufão Champi, que também provocou impactos importantes na região.

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Olho do ciclone tropical passou sobre ilha das Marianas

Na manhã de sexta-feira (29), o ciclone In-fa estava localizado a aproximadamente 370 quilômetros a leste-sudeste de Agrihan, 420 quilômetros a nordeste de Saipan e 620 quilômetros a nordeste de Guam. O ciclone se deslocava para oeste-noroeste, com velocidade de aproximadamente 29 km/h.

O centro do sistema passou diretamente sobre Agrihan, uma remota ilha vulcânica das Marianas do Norte e também poderia produzir a passagem do olho nas proximidades de Pagan. O olho tinha aproximadamente 80 quilômetros de diâmetro, o que poderia proporcionar um intervalo temporário de calmaria e melhora das condições meteorológicas nas localidades atingidas diretamente.

Entretanto, os meteorologistas alertaram que a passagem do olho não representava o fim do perigo. Depois de sua passagem, a parede do olho, que concentra os ventos mais intensos do ciclone, voltaria a atingir a ilha pelo lado oposto. Por isso, a recomendação era permanecer em abrigos seguros durante todo o evento.

Os ventos com força de tufão se estendiam por até 137 quilômetros a partir do centro, enquanto ventos de tempestade tropical alcançavam aproximadamente 250 quilômetros.

Ilhas Marianas registram sequência excepcional de ciclones tropicais

Com a chegada de In-fa, 2026 passou a ser o ano com cinco tufões afetando as Ilhas Marianas pela primeira vez desde 2015. O recorde histórico permanece com 1997, quando seis tufões atingiram o arquipélago.

A sequência de sistemas tropicais que afetaram diretamente ou passaram próximos das ilhas neste ano começou em abril, com o supertufão Sinlaku, que atingiu Saipan no dia 14. Em junho, a depressão tropical Mekkhala passou ao sul de Guam, enquanto a tempestade tropical Higos atravessou a cadeia de ilhas.

Em julho, o supertufão Bavi atingiu Rota. Em agosto, foi a vez do tufão Saudel. Já em outubro, a região teve a passagem de Choi-Wan, ainda como tempestade tropical, e do supertufão Champi, que passou próximo de Guam em 18 de outubro.

A passagem de Champi foi particularmente preocupante. O sistema chegou a aproximadamente 19 quilômetros da extremidade sul de Guam, provocando danos em residências e queda de árvores. Posteriormente, atingiu Taiwan, onde deixou uma pessoa morta, mais de 600 feridos, interrupções no fornecimento de energia elétrica e milhares de registros de danos. Em algumas localidades, os acumulados de chuva ultrapassaram 600 milímetros.

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Guam possui aproximadamente 150 mil habitantes e é a maior ilha do arquipélago. Já a Comunidade das Ilhas Marianas do Norte reúne 14 ilhas ao norte de Guam, com população próxima de 50 mil pessoas, concentrada principalmente em Saipan, Tinian e Rota.

In-fa deve mudar de trajetória nos próximos dias

A trajetória de In-fa também chama a atenção dos meteorologistas. A previsão indicava que o tufão poderia desacelerar durante este fim de semana e sofrer uma mudança gradual de direção devido à influência de ondulações na corrente de jato sobre o leste da Ásia.

Essas alterações na circulação atmosférica poderiam conduzir o sistema mais para norte, afastando-o de áreas mais povoadas das Filipinas. Alguns modelos meteorológicos indicavam uma curva em direção ao nordeste em meados da próxima semana, com possibilidade de passagem ao sul do território continental japonês posteriormente.

As ilhas japonesas de Izu e Iwo também poderiam entrar na área de influência do ciclone, dependendo da evolução de sua trajetória.

A agência meteorológica filipina PAGASA avaliava que a possibilidade de In-fa ingressar na área de responsabilidade das Filipinas era baixa e que um impacto direto no país era ainda menos provável.