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El Niño começa a ingressar em sua fase final. Embora ainda atuando no Oceano Pacífico Equatorial e com intensidade moderada, a tendência é de o episódio do fenômeno chegar ao fim no decorrer das próximas semanas, antecipa a MetSul Meteorologia. O evento teve início em junho do ano passado e tende acabar no final de abril ou em maio.

Águas quentes do El Niño ainda são observadas no Pacífico Equatorial | NASA

De acordo com o último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, publicado ontem, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região Niño 3.4) está em 1,3ºC, portanto dentro da faixa de intensidade moderada.

A última vez em que o Pacífico Equatorial Centro-Leste esteve com valores na faixa de moderada intensidade foi na semana de 16 de agosto do ano passado. Desde então, todas as semanas até 21 de fevereiro apresentaram anomalias de temperatura da superfície do mar na faixa de forte a muito forte (acima de 1,5ºC).

Já o Pacífico Equatorial nos litorais do Peru e do Equador, a denominada região Niño 1+2, estava na última semana com anomalia de -0,1ºC. Ou seja, o Pacífico Equatorial já registra resfriamento junto à costa da América do Sul. A última vez em que a anomalia de temperatura da superfície do mar esteve negativa nesta área do Oceano Pacífico foi na semana de 25 de janeiro de 2023. No pico de aquecimento do atual evento de El Niño, a anomalia positiva na região Niño 1+2 chegou a 3,5ºC, em 19 de julho do ano passado.


Apesar da provável declaração de um evento de La Niña apenas em junho ou julho, nas próximas semanas áreas com águas mais frias do que a média vão ficar cada vez mais evidentes na faixa equatorial, à medida que começa o processo de formação da La Niña com a chegada à superfície de águas mais frias vindas do fundo do mar por um fenômeno chamado de ressurgência.

A mudança para um estado de La Niña no Pacífico, porém, não dependerá apenas de águas mais frias. Tanto o El Niño como a La Niña são fenômenos de oceano e atmosfera. Assim, a La Niña somente estará configurada quando (1) a temperatura do mar estiver em patamares de La Niña por semanas seguidas e (2) a circulação de ventos estiver dentro de uma padrão da fase fria do Pacífico.

Ou seja, em nossa opinião a probabilidade de um evento de La Niña nos próximos meses é por demais elevada. Aliás, esta é a tendência pela análise também do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), dos Estados Unidos. O último prognóstico de probabilidades para o Pacífico do órgão indica mais de 80% de probabilidade de La Niña no segundo semestre deste ano.

O fenômeno aumenta a possibilidade de estiagem e de frio no Sul enquanto no Norte e no Nordeste provoca aumento da chuva. A NOAA, inclusive, emitiu um “La Niña Watch” ou aviso de La Niña, indicando a possiblidade de retorno do fenômeno, mesmo que as condições atuais ainda sejam de El Niño e moderado.

O pico do El Niño foi atingido no último trimestre de 2023 e no começo de 2024. Curiosamente, neste momento, por parte da NOAA há simultaneamente um aviso de El Niño ou “El Niño Advisory” (aviso que El Niño está presente e deve seguir atuando) e um aviso de La Niña ou “La Niña Watch” (aviso de condições favoráveis à La Niña nos próximos seis meses).

Conforme a mais recente estimativa da NOAA, há uma probabilidade de 83% de que o El Niño chegue ao fim e o Pacífico Equatorial evolua para uma condição de neutralidade agora no trimestre de abril a junho que vai marcar o outono.

Probabilidade de La Niña atinge 85% na primavera | NOAA

Para o trimestre de maio a julho, as probabilidades são de 3% de El Niño, 65% de neutralidade e 32% de La Niña. Para o trimestre de inverno de junho a agosto, 1% de probabilidade de El Niño, 37% neutro e 63% de La Niña. No trimestre de julho a setembro, 1% de El Niño, 24% de neutralidade e 75% de La Niña. No trimestre agosto a outubro, 1% de El Niño, 17% de neutralidade e 82% de La Niña. No trimestre de primavera, por fim, entre setembro e novembro, 1% de El Niño, 14% de neutro e 85% de La Niña.

Assim, com base na estimativa da NOAA, haveria uma repetição do que se viu no ano passado, mas com sinal contrário. Em 2023, a transição de La Niña para El Niño foi muito rápida. Para 2024, a agência de tempo e clima dos Estados Unidos projeta uma transição novamente muito rápida, mas desta vez de El Niño para La Niña.

Considerando apenas os eventos de forte El Niño, como é o caso de 2023-2024, cinco dos oito eventos desde 1950 foram seguidos por um episódio frio, portanto a maioria. A transição aconteceu rapidamente nestes casos. Dois eventos de El Niño forte (1973 e 1998) tiveram apenas um período de três meses de condições neutras antes de mudar para a fase fria. Outros dois anos (1983 e 2010) tiveram dois trimestres neutros na transição. No Super El Niño de 2015-2016, a neutralidade na transição ocorreu durante três períodos de três meses.

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