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França explodiu bombas atômicas no deserto e radiação agora é transportada pelo vento décadas depois | Governo da França

A poeira do deserto do Saara soprada para o Norte por fortes ventos alcançou a França nesta semana, mas não deixou apenas o céu mais alaranjado ao amanhecer e no fim da tarde. Trouxe também níveis anormais de radiação, cuja origem é a própria França. 

Segundo a ONG francesa Acro, que monitora a radiação, os níveis observados não são considerados perigosos para a saúde humana, mas o fato não deixa de ser uma grande ironia. 


A radiação é resultante de testes nucleares realizados pela França no deserto da Argélia no início da década de 1960, quando o país do Norte da África era território ultramarino francês.

Na poeira do deserto do Saara trazida pelo vento se observou a presença de césio-137, um produto da fissão nuclear criada em explosões nucleares. A Acro disse que fez testes com a poeira que coletou na área de Jura, perto da fronteira francesa com a Suíça. 

“Esta contaminação radioativa, que vem de longe, 60 anos depois das explosões nucleares, nos lembra a contaminação radioativa perene do Saara, pela qual a França é responsável”, disse a ONG.

Se alguém conhece bem a poeira do Saara na Europa, são os cientistas das Ilhas Canárias. De um laboratório da Universidade de Laguna, em Tenerife, o professor Pedro Salazar Carballo disse à rede Euronews que a poeira do deserto do Saara, ou calima como é chamada nas Ilhas Canárias, às vezes contém potássio 40, naturalmente presente nos minerais e também no césio -137 de testes nucleares pelo governo francês. 

Seu laboratório publicou recentemente um estudo sobre os níveis de radiação presentes na poeira trazida pelas fortes tempestades de 2020, que forçaram o fechamento de aeroportos, mantendo centenas de turistas presos. Naquela época, ele encontrou altos níveis de potássio 40 e césio-137.

Salazar Carballo insiste que esses níveis são seguros, e o laboratório monitora constantemente os níveis que são enviados ao Conselho de Segurança Nuclear. Ele nunca encontrou níveis alarmantes trazidos por tempestades – mesmo tendo detectado os incidentes de Chernobyl e Fukushima.

“O que realmente nos expõe mais à radioatividade é o radônio natural que emana naturalmente do próprio solo”, explica Salazar Carballo.


A Europa Ocidental está atualmente no meio de outro episódio de poeira do Saara, e houve pelo menos três nesta temporada.

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A tempestade de vento que levou poeira do Saara afetou o interior da Argélia e o local do teste nuclear francês realizado em 13 de fevereiro de 1960. Com o nome de “Gerboise Bleue”, esse teste e outros, retornando à França, deixou uma herança de contaminação na ex-colônia com mortes e muitos pedidos de reparação jamais pagos por Paris. 

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