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A América do Sul apresenta diversas características de relevo, de cordilheiras a extensas planícies, e diferentes tipos de vegetação. Isso proporciona a atuação e o desenvolvimento de diferentes sistemas atmosféricos, que são responsáveis por reger a condição de tempo no continente, organizando uma climatologia variada conforme a região e a época do ano. 

Na imagem a seguir nota-se um resumo dos sistemas que atuam na América do Sul, divididos entre os níveis mais próximos à superfície (baixa troposfera) e os níveis mais altos (alta troposfera).


Entre estes vários sistemas, um se destaca e que é de extrema importância no verão.

Comumente não abordado em grande parte das conversas sobre o tempo, a Alta da Bolívia, denominado de AB, tem grande influência no regime de chuva em muitas áreas do Brasil. 

O desenvolvimento desta região de alta pressão atmosférica se deve à intensa atividade convectiva na região Amazônica e o intenso aquecimento sobre o Altiplano Boliviano. A Alta da Bolívia atua principalmente no verão, mas na primavera já é possível notar sua presença.

Ela está associada à forte capacidade para levantamento de ar. Como uma das características da sua região de atuação é a elevada disponibilidade de umidade e altas temperaturas, principalmente no período da tarde, ingredientes necessários para a formação de nuvens de chuva e tempestade, o levantamento serve de disparo para o processo de instabilização.

Além da sua atuação de modo individual, regendo o regime de chuvas em parte das regiões Centro-Oeste e Norte durante sua época de atuação, ela interage com outros sistemas, de modo que dependendo da sua posição e intensidade pode tanto favorecer a ocorrência de chuvas no Sul, Sudeste e Nordeste.


Na última semana, a Alta da Bolívia esteve deslocada um pouco ao Sul da sua posição média (posição climatológica), centrada entre o Norte da Argentina, Paraguai e Bolívia.

Além de ter direta influência nas chuvas intensas que têm ocorrido em parte do Mato Grosso, tem dado suporte às instabilidades que vêm ocorrendo em todas as demais regiões brasileiras, potencializando o levantamento das parcelas de ar e favorecendo a formação de nuvens de chuva e tempestade.

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