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A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história por um motivo que vai muito além do futebol. Pela primeira vez desde a criação do torneio, em 1930, um ciclone tropical atingiu diretamente uma cidade-sede durante a realização da competição masculina mais importante do esporte.

Foto mostrra inundação em Houston por ciclone tropical

Texas enfrenta inundações pelo ciclone tropical Arthur | REGINALD MATHALONE/NURPHOTO/AFP/METSUL

O marco histórico ocorre agora com a tempestade tropical Arthur, o primeiro sistema nomeado da temporada de furacões do Atlântico de 2026. A tempestade avançou sobre a costa do Texas e afetou a região metropolitana de Houston, uma das cidades que recebe partidas do Mundial organizado por Estados Unidos, México e Canadá.

O fato chama atenção porque a Copa do Mundo tradicionalmente é disputada entre os meses de junho e julho, justamente quando se inicia a temporada de furacões no Atlântico Norte. Apesar disso, ao longo de quase um século de história do torneio, nunca havia ocorrido a coincidência de um ciclone tropical atingir uma sede durante os jogos.

Arthur formou-se no Golfo do México e rapidamente ganhou organização suficiente para ser classificado como tempestade tropical. O sistema alcançou ventos sustentados de aproximadamente 75 km/h e avançou para a costa texana carregando enorme quantidade de umidade.

O principal perigo, contudo, não são os ventos. Meteorologistas locais alertaram que a maior ameaça está associada às chuvas torrenciais e às inundações repentinas. Algumas áreas do Sul dos Estados Unidos já haviam recebido grandes volumes de precipitação antes mesmo da formação oficial da tempestade.

Com a chegada de Arthur, os acumulados previstos aumentaram ainda mais. Havia projeções de volumes adicionais entre 125 e 250 mm em diversas áreas, com pontos isolados podendo superar 500 mm. As autoridades advertiram para enchentes potencialmente perigosas e risco elevado de enxurradas.

Os impactos começaram a ser registrados antes mesmo da tempestade alcançar o litoral. Diversas regiões do Texas enfrentaram alagamentos, estradas ficaram submersas e ocorreram mortes relacionadas às enchentes. O sistema também aumentou o risco de tornados em estados do Sul norte-americano.

Em Houston, uma das principais cidades da Copa de 2026, as autoridades monitoraram a situação de perto. Embora as partidas não tenham sido afetadas, o mau tempo provocou alterações em atividades paralelas ao torneio.

O estádio NRG Stadium, que recebe jogos da Copa, possui cobertura retrátil, o que reduz significativamente os riscos para as partidas. Mesmo assim, áreas externas destinadas aos torcedores e eventos ao ar livre tiveram restrições temporárias devido às condições meteorológicas adversas.

A situação observada em Houston também reforça uma mudança importante na percepção dos riscos climáticos. Mesmo sistemas tropicais relativamente modestos podem produzir impactos expressivos quando associados a grandes volumes de chuva e movimentos lentos.

Especialistas destacam que as enchentes provocadas por tempestades tropicais frequentemente causam mais mortes do que os ventos intensos. Desde 2013, a maioria das fatalidades associadas a ciclones tropicais nos Estados Unidos esteve ligada justamente às inundações por chuva excessiva.

Outro fator que aumenta a preocupação é a maior quantidade de vapor de água disponível na atmosfera em um planeta mais quente. O ar mais aquecido consegue armazenar mais umidade, favorecendo episódios de chuva extrema quando sistemas meteorológicos conseguem explorar esse combustível adicional.