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Uma área de baixa pressão que evolui de Minas Gerais para o Oceano Atlântico pode dar origem a um ciclone de natureza subtropical nesta semana na costa do Sudeste do Brasil. Os dados dos modelos meteorológicos indicam que o centro de baixa pressão deve começar a se aprofundar amanhã na costa do estado do Rio de Janeiro. Na sequência, na segunda metade da semana, o centro de baixa pressão deve se distanciar da área continental.


O perfil vertical deste sistema sugere a possibilidade de vir a se transformar em um ciclone do tipo subtropical, portanto atípico. Os modelos numéricos analisados pela MetSul não indicam um profundo centro de baixa pressão. Os dados sinalizam uma área de baixa pressão com valore em superfície entre 1.006 hPa e 1.008 hPa na costa do Sudeste do Brasil.

Assim, se a Meteorologia da Marinha do Brasil, que monitora oficialmente este tipo de sistema nas águas territoriais do Brasil, vier a declarar a transição da baixa pressão ordinária (comum) para um ciclone subtropical anômalo, este muito possivelmente deverá ser apenas uma depressão subtropical, ou seja, um ciclone fraco e o menos intenso da escala.

A probabilidade de atingir status de tempestade subtropical neste momento, de acordo com os dados, é mais remota porque dependeria de pressão atmosférica menor no seu centro (ao redor do 1.000 hPa ou inferior) com vento sustentado mais forte, o que os modelos numéricos hoje não indicam.

Ciclone atípico

A regra é que os ciclones (centros de baixa pressão) não tenham características subtropicais ou tropicais no litoral do Brasil, mas em quase todos os anos ocorre ao menos um. Já os ciclones extratropicais são comuns no Atlântico Sul e se formam principalmente das latitudes do Rio Grande do Sul para o Sul

Se este ciclone se formar terá nome? Ciclones atípicos de natureza subtropical ou tropical recebem nomes na costa brasileira, mas apenas quando o sistema atinge patamar de vento sustentado mais forte. Depressões atmosféricas, mesmo subtropicais ou tropicais, com vento entre 30 km/h e 60 km/h não são classificadas por nome.

Por outro lado, se o sistema passar a apresentar vento sustentado de 60 km/h ou mais deixará de ser uma depressão e se converterá em tempestade subtropical ou tropical, recebendo a partir daí um nome.

Com efeito, de acordo com as Normas da Autoridade Marítima para Meteorologia Marítima (NORMAM-19), da Marinha, para que haja a classificação do ciclone como tempestade subtropical ou tropical e a sua nomeação, os ventos deverão ser iguais ou superiores a 34 nós ou 63 km/h.

O último ciclone atípico a ser nomeado no Atlântico Sul foi Raoni entre 29 de junho e 2 de julho deste ano. O sistema se formou na costa do Prata e avançou depois para o litoral do Rio Grande do Sul, tendo chegado a apresentar um olho.

À época, Raoni causou intenso debate porque análises de satélite apontaram um ciclone tropical e não subtropical como definido pela Marinha brasileira e sistemas tropicais não ocorrem em meio a potentes incursões de ar polar como ocorria naquele momento na região.

Quais os riscos no Sudeste do Brasil?

Se um ciclone subtropical for declarado na costa do Sudeste, os riscos não são significativos, já que o sistema estará mais longe do litoral e se distanciando, além de não ser profundo. Risco maior existe entre hoje e amanhã, quando a área de baixa pressão que pode dar origem ao ciclone atípico, estiver no continente e perto da costa.

O centro de baixa pressão traz chuva forte nesta segunda-feira e amanhã para o Rio de Janeiro, o Sul e o Leste de Minas Gerais e o estado do Espírito Santo. Os volumes poderão ser localmente excessivos com grandes acumulados em curto período, o que pode acarretar alagamentos, inundações repentinas e deslizamentos de terra. A cidade do Rio de Janeiro está entre as áreas de risco de chuva volumosa neste começo de semana.


Com a baixa já em alto mar e distante da costa, quando pode configurar um ciclone de natureza subtropical, suas bandas de nuvens na metade da semana podem trazer chuva forte e temporais para o Espírito Santo e mesmo o Sul da Bahia com risco de transtornos.

Vento não é uma preocupação no continente com esta área de baixa pressão. O risco existe para pequenas embarcações em alto mar e que podem enfrentar chuva forte e vento caso venham a ingressar na área do sistema, se ele for declarado uma depressão subtropical ou de forma menos provável uma tempestade subtropical

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