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Milhões de gaúchos despertaram nesta terça-feira ao som da chuva e das trovoadas. Em muitas cidades, também pelo ruído das pedras de granizo, fenômeno que se registrou no final da madrugada e ao amanhecer principalmente em pontos do Centro do estado e da Grande Porto Alegre.

Os temporais de granizo se iniciaram pelo Centro gaúcho com ocorrências na região de Santa Maria e no Centro-Serra, como em Sobradinho. À medida que as fortes áreas de instabilidade avançaram para Leste, o granizo alcançou as cidades da Grande Porto Alegre.

O final da madrugada e o amanhecer desta terça tiveram condições de tempestade na área metropolitana de Porto Alegre com chuva forte a torrencial, muitos raios com intensas trovoadas e rajadas de vento forte que atingiram até 70 km/h na capital.

As nuvens extremamente carregadas trouxeram ainda granizo em vários pontos da área metropolitana com registro do fenômeno, por exemplo, em Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha, dentre outros.

O granizo em alguns pontos da Grande Porto Alegre chegou a ter tamanho médio, como se viu em vários bairros da cidade de Canoas, onde moradores se apressaram para proteger os seus automóveis das pedras de gelo de maior diâmetro.

O Aeroporto de Porto Alegre em vários dos seus boletins meteorológicos (chamados em aviação de METAR) reportou +TSRA, que é o código internacional em Meteorologia aeronáutica de chuva forte com trovoadas. As rajadas de vento no aeroporto às seis da manhã eram de 65 km/h. O vento vai seguir forte no decorrer do dia em vários momentos com rajadas na capital entre 60 km/h e 80 km/h de Sul a Leste.

Os volumes de chuva foram altos entre o final da madrugada e o começo da manhã desta terça. Somente entre 4h e 8h de hoje a chuva somou mais de 30 mm em diversos bairros de Porto Alegre. No mesmo intervalo, choveu 30 mm em Canoas, 31 mm em Viamão e 32 mm em Alvorada.

Por que tanta chuva, granizo, raios e vento na capital entre hoje e amanhã?  Primeiro, um centro de baixa pressão avançar do Nordeste da Argentina e do Paraguai para o Sul do Brasil. Este sistema se aprofunda ao cruzar pela região entre o Norte gaúcho e Santa Catarina. Baixas pressões, sabidamente, reforçam a instabilidade.

Há ainda o ingresso de ar muito quente nesta terça em altitude na Metade Norte gaúcha com uma corrente de jato em baixos níveis trazendo forte vento do quadrante Norte no Noroeste e no Norte do estado, o que traz temperatura muito alta em camadas mais baixas da atmosfera.

Ar muito quente é energia para a formação de nuvens de tempestades, especialmente numa atmosfera de baixa pressão, e gera sucessivas e constantes áreas de tempestades na área de transição entre ar mais quente e ameno, no caso o Centro, parte do Oeste e do Sul, e o Nordeste gaúcho.

Normalmente, neste tipo de situação em que a instabilidade é acompanhada por ar muito quente em altitude há muita incidência de raios e abundante queda de granizo em muitos pontos. O granizo, aliás, é o maior risco nesta terça no Rio Grande do Sul e no Leste de Santa Catarina com diâmetro médio a grande em alguns locais.

O centro de baixa pressão que hoje traz muita chuva e temporais dará origem a um ciclone na costa amanhã, quando o Sul e o Leste do estado devem ter rajadas de vento, em média, de 60 km/h a 80 km/h e superiores em alguns pontos da orla e dos Campos de Cima da Serra. Há risco de queda de árvores e cortes de energia.

Amanhã, o ciclone estará sobre o mar e a circulação ciclônica ainda traz chuva nas Metades Norte e Leste do estado gaúcho, mas com volumes menores. Será quando a frente fria avançará por Santa Catarina e o Paraná, com maior intensidade no território catarinense. Ar mais frio e de alta pressão vai avançar e começar a melhorar o tempo no Rio Grande do Sul.