A primeira metade da semana registrou ao menos 128 municípios do Rio Grande do Sul com algum tipo de ocorrência relacionada ao mau tempo, em um cenário que reuniu chuva excessiva, vendavais, granizo, enxurradas, alagamentos, deslizamentos, transbordamento de rios e até um tornado. Os impactos se espalharam por praticamente todas as regiões do estado e deixaram um rastro de destruição em áreas urbanas e rurais.

Granizo fez estragos em muitas cidades | PAIVA NUNES
O levantamento mostra uma sucessão de ocorrências que atingiram residências, prédios públicos, escolas, hospitais, lavouras, redes de energia elétrica, rodovias, pontes e estradas municipais. Também houve interrupções no fornecimento de energia, comunidades isoladas, bloqueios de acessos e remoções preventivas de famílias em razão da elevação dos rios.
O saldo humano contabilizado até o final da quarta-feira (29) era de seis pessoas feridas e 297 desalojadas, além de moradores desabrigados em diferentes municípios. O número tende a mudar à medida que novas informações chegam das prefeituras e equipes de Defesa Civil que continuam realizando levantamentos dos prejuízos.
Entre os municípios mais castigados aparece Santo Antônio das Missões, onde uma intensa tempestade de granizo provocou danos em aproximadamente 400 residências. Além dos prejuízos materiais, uma pessoa ficou ferida.
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No Litoral Norte, Osório teve vendaval que provocou danos em estabelecimentos comerciais, prédios públicos, queda de árvores, postes e interrupção do fornecimento de energia elétrica. O balanço mais recente aponta 350 residências parcialmente danificadas, além de uma pessoa ferida após o destelhamento de uma construção.
Em Não-Me-Toque, o vento provocou estragos em 200 residências, deixando 30 pessoas desalojadas e causando falta de energia elétrica em diferentes pontos da cidade. Já em Ubiretama, o granizo atingiu praticamente todo o município, com estimativa preliminar indicando danos em cerca de 80% das moradias.
Outras cidades também registraram números expressivos de imóveis atingidos. Em Quevedos, foram contabilizadas 90 residências danificadas. Em Ijuí, o granizo atingiu 75 casas, enquanto Tupanciretã registrou cerca de 70 residências com problemas de destelhamento e alagamentos. Em Tuparendi, houve danos em 45 residências, além de uma escola e uma creche.
Na região Noroeste, o cenário foi agravado pela passagem de um tornado. Em Senador Salgado Filho, quinze residências sofreram danos e uma casa foi completamente destruída. Em Giruá, três moradias localizadas na divisa entre os municípios foram atingidas diretamente pelo fenômeno, que deixou uma extensa faixa de destruição.
O Vale do Taquari voltou a enfrentar problemas relacionados à cheia dos rios. Arroio do Meio registrou pessoas desalojadas e desabrigadas, enquanto Estrela precisou interditar vias e retirar famílias preventivamente. Em Bom Retiro do Sul, a erosão provocada pelo Rio Taquari causou o desmoronamento de parte da margem do rio.
Em Cachoeira do Sul, a elevação do Rio Jacuí provocou bloqueio de estradas, comunidades isoladas, pessoas desabrigadas e desalojadas. Situações semelhantes ocorreram em diversos municípios onde rios, arroios e córregos transbordaram, interrompendo o trânsito e comprometendo o acesso a localidades do interior.
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Os prejuízos à infraestrutura viária foram um dos principais problemas. Houve destruição de pontes, cabeceiras, bueiros e passagens molhadas, além de dezenas de estradas bloqueadas ou interditadas. Municípios como Salto do Jacuí, Jaquirana, Agudo, Fontoura Xavier, Toropi, São Pedro do Sul, Campos Borges e Canudos do Vale registraram danos importantes na malha viária, dificultando o deslocamento de moradores e o transporte da produção agrícola.
Diversas comunidades ficaram isoladas em razão da cheia dos rios. Em Maquiné, várias localidades permaneceram sem acesso após o transbordamento de cursos d’água sobre pontes e passagens molhadas. Em outros municípios, a interrupção do tráfego ocorreu tanto em rodovias estaduais quanto em estradas municipais.
Os temporais também provocaram prejuízos significativos ao sistema elétrico. Quedas de árvores sobre redes de distribuição e postes interromperam o fornecimento de energia em dezenas de municípios. Arvorezinha, Cotiporã, Caxias do Sul, Itaqui, Progresso, Putinga, Santa Bárbara do Sul e Osório estão entre as cidades que registraram interrupções causadas pelos ventos intensos.
Além das residências, os danos atingiram escolas, ginásios, unidades de saúde, igrejas, galpões agrícolas, sedes de prefeituras, prédios públicos e estabelecimentos comerciais. Em algumas localidades houve ainda deslizamentos de terra, queda de muros, bloqueios por árvores e prejuízos à produção rural.