Cenas de cidades alagadas, rios fora do leito e enchentes que marcaram a segunda metade de 2023 devem voltar a ser vistas no Rio Grande do Sul pela chuva excessiva a extrema| PEDRO TESCH/BRASIL PHOTO PRESS/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A MetSul emitiu ontem alerta sobre chuva volumosa a extrema no Rio Grande do Sul com alto risco de temporais isolados. Hoje, reforçamos o alerta com novos dados que indicam um cenário de precipitação ainda mais preocupante com acumulados extremos em parte do estado gaúcho e que podem atingir o equivalente a meses de chuva em poucos dias.

Como temos advertido, está começando uma prolongada sequência de dias de alto risco com uma alta frequência de chuva e elevada possibilidade de temporais isolados. Massa de ar quente, úmida e extremamente que provocou chuva excessiva e temporais durante a semana no Centro da Argentina e no Sul do Uruguai se estende agora ao Rio Grande do Sul.

Bloqueio atmosférico associado a uma massa de ar muito quente que provoca uma forte onda de calor no Brasil e em países vizinhos será responsável por manter a instabilidade retida a partir de agora por muitos dias no Rio Grande do Sul. Não bastasse, uma frente fria intensa vai cruzar pelo Rio Grande do Sul ente quarta e quinta da semana que vem com mais chuva forte.

Com isso, o período de hoje até os dias 20 e 21 de março será extremamente propício à chuva no Rio Grande do Sul e com acumulados muito altos e mesmo extremos em algumas áreas. Embora o risco de temporais isolados com vento pelo ar quente e úmido até terça, antes da passagem da frente fria, a maior ameaça meteorológica será chuva volumosa.

Não vai se tratar de um evento de chuva volumosa em pontos localizados. Advertimos que a chuva terá altos volumes em grande parte do Rio Grande do Sul. As precipitações das últimas horas apenas reforçam a preocupação com acumulados até o meio-dia desta sexta-feira em estações do Instituto Nacional de Meteorologia de 119 mm em Alegrete, 96 mm em Quaraí, 88 mm em Uruguaiana, 72 mm em São Vicente do Sul e 50 mm em Bagé. Ponto de medição do Cemaden já soma 168 mm em Alegrete.

Veja os mapas de chuva

A chuva nos próximos dias, até quarta e quinta da semana que vem, deve atingir 100 mm a 200 mm em grande parte do Rio Grande do Sul, mas com acumulados em algumas áreas de 200 mm a 300 mm. Mesmo marcas muito isoladas de 300 mm a 400 mm não podem ser descartadas.

Os mapas abaixo trazem as projeções de chuva para sete dias dos modelos alemão (Icon), canadense (CMC), norte-americano (GFS) e europeu (ECMWF). Como se observa, todas as projeções indicam precipitações volumosas para o território gaúcho nestes dias de enorme instabilidade.

Projeção de chuva para sete dias do modelo alemão | METSUL

Projeção de chuva para sete dias do modelo canadense | METSUL

Projeção de chuva para sete dias do modelo norte-americano | METSUL

Projeção de chuva para sete dias do modelo europeu | METSUL

Conforme a nossa avaliação, as projeções dos modelos alemão e europeu são as com maior probabilidade de acerto. Nesse sentido, acreditamos que os mais altos volumes vão se dar entre o Oeste e o Centro do Rio Grande do Sul com marcas acima de 200 mm em vários pontos e potencialmente acima de 300 mm ou 350 mm em algumas cidades.

Isso significa que em apenas uma semana grande parte do Rio Grande do Sul deverá ter precipitação equivalente a um mês de chuva e algumas localidades podem atingir até 200% a 300% da média mensal, ou seja, dois a três meses de chuva em tão-somente sete dias, o que configura uma situação de volumes excepcionalmente altos para intervalo tão curto de dias.

Alagamentos, inundações e cheias de rios

A MetSul alerta para impactos significativos para a população em alguns municípios. Cidades terão inundações repentinas e enchentes, repetindo as cenas dos meses do segundo semestre do ano passado. O cenário será especialmente crítico em bacias mais do Centro para o Oeste, o que inclui rios como Ibicuí, Santa Maria, Ibirapuitã e Santa Maria, mas outros rios do estado devem ter forte elevação.

Algumas estradas, particularmente municipais e rurais, devem se tornar intransitáveis com prováveis trechos e pontilhões cobertos pela água. Com a perspectiva de forte correnteza, trechos alagados devem se terminantemente evitados por motoristas sob perigo de acidentes fatais.

A instabilidade trará chuva excessiva em curtos períodos, da ordem de 50 mm a 100 mm em menos de três horas, tal como já viu em pontos do Oeste gaúcho nas últimas horas. Isso agrava o risco de alagamentos e inundações repentinas em áreas urbanas e zonas rurais, trazendo prejuízos para moradores. Uma vez que é época de colheita, a chuva excessiva pode trazer impactos para produtores rurais, inclusive com lavouras inundadas.

Como consultar os mapas

Todos os mapas neste boletim podem ser consultados pelo nosso assinante (assine aqui) na nossa seção de mapas a qualquer hora. A plataforma oferece mapas de chuva, geada, temperatura, risco de granizo, vento, umidade, pressão atmosférica, neve, umidade no solo e risco de incêndio e raios, dentre outras variáveis, com atualizações duas a quatro vezes ao dia, de acordo com cada simulação. Na seção de mapas, é possível consultar ainda o nosso modelo WRF de altíssima resolução da MetSul.

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