O calor que atinge o Estado estabeleceu marcas históricas ontem. Em São Luiz Gonzaga, a máxima de 30,8ºC foi a mais alta em junho desde a abertura da estação em 1913, novo recorde. O registro bateu a máxima da série 1931-1960 de 30,0ºC de 12/6/1934, da série 1961-1990 de 29,8ºC em 27/6/1962 e do período 1991-2011 de 29,6ºC em 20/6/2007. Já a máxima de 29,5ºC em Cruz Alta foi a mais alta em junho desde 1919. A marca superou a máxima em junho de 1931-1960 de 28,6ºC em 9/6/1948, de 1961-1990 de 29,0ºC em 27/6/1962 assim como os 28,8ºC de 2/6/1991 entre 1991-2011. A máxima na rede do Inmet no Estado ontem foi 32,5ºC em Campo Bom. A cidade do vale teve, contudo, 32,9ºC em 8/6/2006 e 32,8ºC em 15/6/2000. Já em Porto Alegre fez 30,4ºC (Jardim Botânico) na quarta e 31,7ºC (Sertório) ontem, mas em 2006 chegou a fazer 31,6ºC na estação do Inmet da Capital.

O ar quente favoreceu, como se esperava, chuva e temporais isolados na Metade Sul na quinta-feira. Ainda na madrugada Santa Vitória do Palmar registrou granizo. Durante a tarde nuvens carregadas provocaram granizo isolado em Vila Nova do Sul e outras cidades do Sul gaúcho. Caçapava do Sul teve vento de 83,8 km/h. Nuvens carregadas que se aproximaram de Porto Alegre no começo da noite trouxeram muitos relâmpagos, mas volumes de chuva ínfimos.



Granizo em Santa Vitória do Palmar por Francisco Soares


Frente de rajada em São Gabriel por Murilo Lopes



Raios em Porto Alegre por Fernando Mainar

Volumes de chuva muito altos foram registrados no Uruguai na quarta, final da quinta e, especialmente, na madrugada de hoje. Na quarta, intensa instabilidade provocou um forte temporal no Sul e no Leste do país. Na capital Montevidéu, o dia virou noite no meio da tarde. Houve muitos raios na cidade e a sessão do Congresso chegou a ser interrompido. A chuva torrencial causou alagamentos. Descarga elétrica destruiu uma casa no balneário de La Paloma.



Os maiores volumes de chuva em 24 horas até 7h da quinta no Uruguai foram de 75 mm em Polanco del Yi (Florida), 58 mm em Mariscala (Lavalleja), 56 mm em Cerro Colorado e 52 mm no Aeroporto de Melilla em Montevidéu. Já até 7h desta sexta-feira, os maiores volumes em 24 horas foram de 150 mm em Moirones (Rivera), 120 mm em Cuchilla Caraguata (Tacuarembó), 110 mm em San Luis (Rocha), 101 mm em Vichadero (Rivera) e 100 mm em Tambores (Paysandú).


A chuva atingiu com força também o Sul e o Sudoeste do Rio Grande do Sul nas últimas horas. Até o começo desta tarde (14h) havia chovido 58,4 mm em Quaraí, 45,00 em Santana do Livramento, 40,4 mm em Bagé, 32,0 mm em Jaguarão, 20,8 mm em Dom Pedrito, 14,6 mm em Uruguaiana, 13,6 mm em Alegrete, 13,2 mm em Rio Grande e 7,6 mm no Chuí. Houve registro de granizo isolado, como na cidade do Rio Grande. Nas próximas horas, a instabilidade de Sul e do Sudoeste do Estado avança para as demais regiões gaúchas e toma conta do Rio Grande do Sul amanhã.

A MetSul Meteorologia alerta para um período de forte instabilidade em grande parte do Estado entre este sábado e a segunda-feira. Durante estes três dias são esperadas muitas nuvens e a ocorrência de chuva na maior parte do território gaúcho. Adverte-se para o risco de chuva localmente forte a intensa em vários municípios durante o fim de semana e a segunda-feira com altos volumes localizados. Os maiores acumulados devem começar a migrar para a Metade Norte. Acumulados superiores a 100 mm em alguns pontos não podem ser afastados. Até para Porto Alegre existem modelos sinalizando o risco de chuva forte durante o fim de semana e a segunda-feira. O tempo pode apresentar melhoria no Sul e Sudoeste gaúcho no sábado, mas o tempo deve voltar a se instabilizar no domingo.

Alerta-se ainda para o risco de granizo isolados nos próximos três dias no Estado e temporais localizados com vento forte não estão fora de cogitação. A MetSul considera ainda preocupante o cenário apontado de chuva em altos volumes em Santa Catarina, Paraná e Sul de São Paulo na primeira metade da próxima semana, onde alguns pontos podem ter volumes de 100 mm a 200 mm. Temporais isolados de vento forte e granizo não podem ser descartados também no restante do Sul do Brasil.