Areia do Saara que caiu durante a noite cobre a neve na estação de esqui de Piau-Engaly, Sul da França | BASTIEN ARBERET/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A areia do deserto do Saara que chegou à Europa deixou a neve marrom em estações de esqui da Espanha e da França. A nuvem de areia é consequência da tempestade de areia que afetou o Marrocos nos últimos dias. A tempestade Celia, uma área de baixa pressão centrada mais ou menos no Golfo de Cádiz, trouxe o vento forte que impulsionou a areia Saara para a península ibérica e França.

O episódio excepcional de poeira do deserto do Saara é registrado desde a segunda em Portugal, Espanha e França. A intensidade do fenômeno espanta e é descrito como o mais forte em décadas na região, trazendo paisagens impressionantes que mais se assemelham ao do planeta Marte em algumas cidades com o céu alaranjado.

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As autoridades de saúde recomendaram manter as portas e janelas fechadas, o uso de máscaras ao sair e evitar exercícios ao ar livre, principalmente para pessoas com problemas respiratórios. As ruas de Madrid e outras cidades espanholas e portuguesas ficaram cobertas por uma camada de poeira como resultado da calima que reduz a visibilidade.

Pessoas limpando com mangueira seus carros, varandas, ou portas dos edifícios, podiam ser vistas no centro da capital espanhola, onde a poeira fina avermelhada transformou a paisagem. No metrô e nos estacionamentos, os pisos estavam empoeirados, e as janelas nos andares mais altos, manchadas de marrom. Atravessando os Pireneus, o fenômeno chegou ao Oeste da França e deve continuar para Norte, segundo o serviço meteorológico Météo France que alertou que pode durar até quinta-feira.

A “calima” é bastante comum, sobretudo no arquipélago atlântico das Canárias, situado no Nordeste da África. A ocorrência atual é um “extraordinário episódio com reduções da visibilidade muito importante em amplas áreas da península”, detalhou o porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia (Aemet), Rubén del Campo.

Em mensagem à imprensa, acrescentou que a calima afeta “cidades tão distantes quanto Granada (ao Sul), Madri (Centro) e Léon (Nordeste da Espanha)”. E será persistente, já que “está previsto que continue chegando poeira em grande quantidade” nas próximas horas, relatou Del Campo.

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As tempestades no deserto do Saara criam rajadas de vento na superfície do solo que levantam partículas de areia e pó, explicou a Aemet, em um vídeo no Twitter. As partículas menores ficam suspensas no ar devido à diferença de temperatura entre o ar quente, no alto, e o solo que se esfria, enquanto as mais pesadas caem, completa a agência.

Em seguida, o vento transporta as partículas até a Península Ibérica, onde não se descarta que haja “chuvas de barro” sobre a Espanha, caso a calima e as chuvas se encontrem, adverte o vídeo. A qualidade do ar era “extremamente desfavorável” na manhã desta terça em Madri, em Segóvia e em Ávila, no Centro do país, segundo as autoridades. Na França, o fenômeno deve durar até quinta-feira, porque a areia “está bloqueada por um anticiclone sobre a Grécia”, disse Marine Jeoffrion, do Météo France, a repórteres.