Ida já deixou há dias de ser um furacão, mas seguirá trazendo problemas. O furacão monstro que alcançou a Louisiana no domingo com vento de 277 km/h, chuva extrema e devastação pelo vento perdeu força ao avançar sobre terra e agora é uma mera depressão tropical. Isso, contudo, não significa que os riscos acabaram e para o Nordeste dos Estados Unidos o que sobrou de Ida é uma grande ameaça nas próximas horas. Ida vai interagir com uma corrente de jato ao Sul dos Grandes Lagos e trazer chuva extrema para as áreas mais populosas do país no Nordeste dos Estados Unidos.

A expectativa é de chuvas generalizadas de 100 mm a 200 mm com marcas até superiores no Nordeste dos Estados Unidos, o que levou o Centro de Previsão do Tempo (Weather Prediction Center) da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) a emitir um raro alerta de “alto risco” de chuvas torrenciais, advertindo que que pode ser um evento de chuva de cem anos em tempo de recorrência para algumas áreas.
Leia tambémPrevisão do tempo: quando vai parar a chuva?
O que restou de Ida trazia chuva moderada nas últimas horas para o Vale do Tennessee e os Apalaches Centrais, mas o cenário vai mudar quando a depressão tropical alcançar o Nordeste dos Estados Unidos nas próximas horas e ser reforçada pela corrente de jato. A situação deve piorar muito na região a partir da noite desta quarta-feira.
Os modelos meteorológicos indicam 100 mm a 150 mm numa ampla área com mais de 200 mm em diversos pontos. A chuva mais forte atingirá a Virgínia Ocidental e Maryland, depois a Pensilvânia e por fim Nova Jersey, o Sudeste de Nova York e o Sul da Nova Inglaterra. Isso inclui cidades como New York City e Hartford, dentre outras.
A NOAA explicou que os acumulados de chuva serão tão altos em algumas localidades que pode ser um evento com tempo de recorrência de um século, o que justificou a emissão do raro aviso de alto risco. Um número muito pequeno de dias a cada ano é considerado de alto risco, mas quase 90% de todos os danos causados por enchentes acontecem nestes poucos dias de tempo extremo. Embora estes avisos de alto risco sejam emitidos em, média, apenas 16 dias a cada ano (cerca de 4% do total de dias do ano), 44% das mortes por enchentes e 86% dos danos causados pelas inundações ocorrem durante estes dias.

Leia tambémMeteorologista Luiz Nachtigall: enchente é só o começo
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos alertou que a chuva por vezes cairá com volumes de 50 mm por hora, saturando o solo. Com isso, haverá transbordamento de rios, arroios e riachos. Para piorar, a região teve chuva volumosa recentemente pelas tempestades tropicais Fred e Henri. Muitas áreas tiveram chuva três a cinco vezes acima do normal nas últimas duas semanas.
A chuva mais forte cairá entre a noite desta quarta-feira e a quinta-feira de manhã numa área de Nova York até Boston, antes de deixar a Nova Inglaterra no final da manhã da quinta-feira. É a região mais densamente povoada dos Estados Unidos.
Apesar de não ser incomum que sistemas tropicais enfraquecidos tragam chuva excessiva e inundações, as chuvas mais fortes se tornaram mais comuns desde 1960, especialmente no Nordeste dos Estados Unidos. Isso ocorre porque o aquecimento das águas do Oceano Atlântico ao longo da costa do Nordeste norte-americano está reforçando as tempestades e o ar mais quente é capaz de reter mais umidade, duas situações das mudanças climáticas causadas pelo ser humano. A frequência das chuvas mais fortes aumentou em 50% no Nordeste dos Estados Unidos desde a década de 60.