A Europa enfrenta uma brutal ondas de calor, uma das mais intensas já registradas no continente com temperaturas superiores a 40°C em diversos países, recordes históricos sendo quebrados diariamente e autoridades em alerta diante dos riscos crescentes à população.

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O episódio de calor extremo afeta especialmente França, Espanha, Itália, Reino Unido, Alemanha, Portugal e Suíça. Em muitas regiões, os termômetros registram valores entre 5°C e 15°C acima da média climatológica do final de junho.
A situação é considerada excepcional não apenas pelas máximas extremas observadas durante o dia, mas também pelas temperaturas elevadas durante a noite, que impedem o resfriamento dos ambientes e aumentam os riscos para a saúde.
A França registrou um marco histórico ao enfrentar a noite mais quente desde o início das medições meteorológicas nacionais. A temperatura mínima média do país atingiu 21,6°C, superando o recorde anterior de 21,43°C observado em julho de 2019.
Noites excepcionalmente quentes são consideradas particularmente perigosas porque o organismo humano tem menos tempo para dissipar o calor acumulado ao longo do dia. Em Paris, os termômetros não baixaram de 24,2°C durante a madrugada, estabelecendo a noite mais quente já observada em junho na capital francesa. Em várias cidades, os moradores enfrentaram desconforto térmico contínuo por 24 horas.
Meteorologistas europeus relatam que centenas de recordes de temperatura mínima foram quebrados simultaneamente em diferentes países europeus. O fenômeno se estende desde a Península Ibérica até áreas centrais e setentrionais do continente.
Na França, a segunda-feira entrou para a história meteorológica do país. Dados preliminares da Metéo France apontam que foram registrados 122 recordes absolutos de temperatura máxima em apenas um dia. Além disso e outros 332 recordes mensais foram estabelecidos.
Especialistas classificam a quantidade de recordes observada como extraordinária para um único episódio meteorológico. Grande parte do Centro-Oeste e do Oeste francês experimentou temperaturas sem precedentes em suas séries históricas. O mais preocupante é que os modelos indicam a possibilidade de novas máximas extremas nos próximos dias.
Entre os registros mais impressionantes está o de Bordeaux, no Sudoeste da França. A cidade atingiu 41,9°C, estabelecendo um novo recorde absoluto para uma estação meteorológica em funcionamento desde 1920. Em Poitiers, os termômetros alcançaram 41,8°C. O valor superou todos os registros anteriores de uma série histórica iniciada em 1921, tornando-se a temperatura mais alta já observada na cidade.
A cidade de Niort registrou 41,7°C, um novo recorde absoluto para uma estação cujas medições começaram em 1958. A marca superou com ampla margem os extremos anteriormente observados. Dax atingiu 41,2°C e também estabeleceu uma nova máxima histórica. A estação opera desde 1958 e jamais havia registrado temperatura tão elevada. Em Angers, os termômetros chegaram a 41,0°C. A cidade mantém observações meteorológicas desde 1937 e nunca havia alcançado um valor semelhante em quase nove décadas de medições.

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Rennes, uma das principais cidades do Oeste francês, registrou 40,6°C. O valor representa o recorde absoluto da estação, cuja série histórica teve início em 1945. Até mesmo localidades marítimas foram afetadas por temperaturas excepcionais. Em Le Talut, na ilha de Belle-Île, a máxima chegou a 35,2°C, recorde para uma estação que opera desde 1930.
A intensidade do calor observado em Bordeaux é particularmente impressionante do ponto de vista estatístico. A temperatura registrada ficou próxima de quatro desvios-padrão acima da média climatológica local. Em termos estatísticos, trata-se de um evento extremamente raro. Cientistas observam que um episódio dessa magnitude seria praticamente impossível de ocorrer sem a influência do aquecimento global provocado pela atividade humana.
Um estudo de atribuição climática divulgado nesta semana concluiu que a atual onda de calor foi intensificada entre 2°C e 4°C pelas mudanças climáticas causadas pelas emissões de gases de efeito estufa. Em algumas localidades, os pesquisadores indicam que a influência do aquecimento global pode ter elevado as temperaturas em até 4°C adicionais.
Os cientistas afirmam que, sob as condições climáticas do passado, um evento desta magnitude poderia ter período de retorno superior a mil anos. No clima atual, porém, episódios extremos tornam-se progressivamente mais frequentes.
A Europa é atualmente o continente que mais rapidamente aquece no planeta. Dados climáticos mostram que seu ritmo de aquecimento é aproximadamente duas vezes superior à média global observada desde a década de 1980.
Na França, dezenas de departamentos permanecem sob alerta vermelho, o mais elevado nível de advertência meteorológica. As autoridades francesas confirmaram pelo menos 18 mortes associadas à onda de calor. Entre as vítimas estão duas crianças encontradas dentro de um automóvel durante um período de temperaturas extremas.
Outro efeito indireto da onda de calor é o aumento dos afogamentos. O governo francês informou que cerca de 40 pessoas morreram afogadas desde a semana passada enquanto buscavam formas de se refrescar.
Na Espanha, quase todo o território nacional permanece sob alerta meteorológico da Aemet. Regiões próximas de Córdoba, Bilbao e Cantábria estão entre as áreas submetidas aos avisos mais severos. O calor também alcança áreas do Norte espanhol, onde temperaturas próximas de 40°C são raras. Em algumas localidades, os desvios em relação às médias históricas ultrapassam 10°C.
A Itália colocou diversas cidades sob alerta vermelho, incluindo Roma, Milão, Turim e Veneza. As autoridades recomendam evitar exposição solar prolongada e permanecer em ambientes climatizados sempre que possível.

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No Reino Unido, o Met Office emitiu apenas o segundo alerta vermelho de calor extremo de sua história. As previsões indicam temperaturas próximas de 40°C em partes da Inglaterra.
A onda de calor excepcional avança ainda mais para o Norte do continente. Modelos meteorológicos indicam que áreas da Escandinávia podem registrar temperaturas entre 36°C e 37°C nos próximos dias. Alemanha, Polônia e República Tcheca também devem enfrentar máximas próximas de 40°C. Os valores previstos estão muito acima do normal para esta época do ano.
Além dos impactos sobre a saúde, cresce a preocupação com os sistemas de energia. O uso intenso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores aumenta fortemente a demanda por eletricidade. Experts alertam que o risco de sobrecarga na rede elétrica cresce à medida que o calor persiste. Em alguns países, operadoras acompanham a situação para evitar interrupções no fornecimento.