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Área de menor pressão atmosférica conhecida em Meteorologia como “cavado” que se desloca a partir da Argentina passa a atuar nesta terça-feira aqui no Rio Grande do Sul. Entre esta terça e a quarta-feira pode se converter em um vórtice ciclônico em médios e altos níveis, um centro de baixa pressão fechado em níveis mais altos da atmosfera. A maioria dos modelos numéricos analisados pela MetSul Meteorologia projeta este cenário, sendo que o norte-americano GFS apresenta a solução mais incisiva quanto à formação deste vórtice junto ao Leste do Rio Grande do Sul agora durante a metade da semana.



Projeção do modelo norte-americano GFS para os níveis de pressão de 700 hPa e 300 hPa indica um vórtice ciclônico bem definido (‘baixa fria”) junto ao Leste do Rio Grande do Sul


Projeção do modelo brasileiro MBAR do Instituto Nacional de Meteorologia sinaliza o acentuado cavado primeiro sobre o Uruguai (esquerds) e após uma baixa fechada em 300 hPa na costa gaúcha (direita)

O resultado da atuação deste sistema será instabilidade do tempo. Entre amanhã e quinta o sol aparece na maior parte do Rio Grande do Sul, logo não se espera um cenário de tempo fechado nos três dias, mas este sistema favorecerá a formação de nuvens e chuva, muito irregular. Há risco até de temporais bem isolados (como de granizo), alguns fortes, sobretudo nesta terça com o aquecimento diurno. Hoje, São Gabriel teve uma máxima de 31,6ºC, o que é calor, fato raro neste mês de março. Com aquecimento, a área de baixa pressão funciona como um verdadeiro “gatilho”, ativando a instabilidade com risco de formação de nuvens carregadas localizadas. Foi o que ocorreu no começo do dia de hoje na Argentina, inclusive com danos em alguns pontos. Vendaval, que não se descarta possa ter sido tornado, fez muitos estragos em Loberia, província de Buenos Aires. O vento intenso destruiu prédios e chegou até a virar caminhões (imagens da Municipalidade de Loberia).


Vórtices ciclônicos em médios e altos níveis da atmosfera, vital dizer, não geram impactos como os registrados em ciclones extratropicais. Logo, não se espera condição de vento forte por horas seguidas. Ao contrário, neste tipo de sistema (“baixa fria”) aqui no Estado o vento tende a ser fraco, exceto por eventos localizados desencadeados pelo sistema. E uma possibilidade devido ao vórtice é a formação de trombas d’água (tornados sobre água) e nuvens funis nas lagoas, principalmente na Lagoa dos Patos, e sobre o mar na costa ante o contraste térmico entre a água e a atmosfera superior mais fria. Foi o que ocorreu em 14 de dezembro de 2011, quando outro vórtice, mais significativo que este de agora e que estava mais sobre o Leste gaúcho, trombas na Lagoa dos Patos (foto abaixo de Arambaré por Fábio Raphaeli) e várias nuvens funis.


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A instabilidade deve ser maior no Sul e no Leste do Rio Grande do Sul. Como muitos de vocês já sabem, quando há uma área de baixa pressão, a Oeste e Noroeste tende a ficar muito seco. Por isso, devido ao posicionamento do sistema e ao ingresso de ar mais frio, a madrugada de quarta-feira pode ser bem fria em pontos do Oeste, Noroeste e Norte do Estado com mínimas de um dígito. Na quinta, mantém-se a possibilidade de chuva esparsa, mais concentrada no Leste gaúcho, mas, como temos salientado nas nossas dezenas de inserções diárias na mídia, a tendência para quinta-feira a domingo (feriadão de Páscoa) é de tempo predominantemente bom e agradável no Rio Grande do Sul.

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